Gabão: Empréstimo problemático de 800 milhões de dólares.

Nos dias 17 e 18 de novembro de 2021, o governo do Gabão voltou a ir aos mercados de capitais internacionais por meio da emissão de títulos.

Essa operação permitiu ao governo desse país da África Central, tomar emprestado 800 milhões de dólares a uma taxa de juros de 7% por um prazo de 10 anos.

Embora o governo gabonês tenha enaltecido o sucesso desta operação, os recursos obtidos com este empréstimo serão utilizados para amortizar um outro título – Eurobond 2013 – com vencimento semelhante que expira em dezembro de 2024.

Este novo título consiste em substituir uma dívida sobre a qual pesa 6,375% de juros por uma nova dívida mais onerosa, cuja taxa de juro é de 7%, ou seja, 62,5 pontos a mais do que o empréstimo anterior a pagar pelo contribuinte.

E há mais uma grande diferença entre este novo título e o anterior. Com efeito, em 2013, as autoridades responsáveis ​​pela Economia e Finanças Públicas conseguiram substituir uma dívida com juros de 8,2% por uma dívida a 6,375%, ou seja, menos 182,5 pontos base a pagar pelo contribuinte gabonês.

Assim, enquanto os empréstimos de 2013 e 2021 tiveram o efeito de alongar o perfil de vencimento da dívida do Gabão, o Eurobond 2021 aumenta o peso da dívida da economia, enquanto o Eurobond 2013 o reduziu.

Parece, pois, óbvio que o Eurobond 2021 não é um grande sucesso para as finanças públicas do Gabão, uma vez que aumenta a dívida pendente, prolonga a sua maturidade e aumenta o encargo financeiro que absorve constantemente uma parte do crescimento do orçamento nacional do Gabão.

Num período em que o continente se enforca para recuperar a economia afetada enormemente pela pandemia, o endividamento justifica-se para financiar grandes projetos de desenvolvimento que realmente promovam o emprego, os rendimentos familiares, a resiliência e o crescimento económico e social, tais como infraestruturas rodoviárias, estruturas de saúde e educação, habitações água e eletricidade e o financiamento do tecido empresarial sobretudo das PMEs.

Neste caso o título emitido pelo Gabão, vai provavelmente ter o efeito contrário daquele que se espera na emissão desse tipo de dívida.

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