Gana: Fitch baixa nota de “B” para “B-“ com perspetiva negativa.

Conteúdos Mostrar

A Fitch Ratings acaba de baixar a classificação creditícia de longo prazo em moeda estrangeira do Gana. A informação foi revelada nesta sexta-feira, 14 de janeiro de 2022, pela instituição de notação de crédito global, em comunicado.

De acordo com o documento, a classificação do país de “B” para “B-“ com perspetiva negativa, foi devida à perda de acesso do país aos mercados de capitais internacionais no segundo semestre de 2021, considerando o aumento da dívida pública ligada à pandemia de Covid-19.

“Esta situação ocorre num cenário de incerteza sobre a capacidade do governo de estabilizar a dívida, num contexto de condições de financiamento global mais apertado”, disse o relatório.

E a Fitch acrescenta: “A capacidade do Gana de realizar os esforços planeados de consolidação fiscal pode ser prejudicada por uma maior dependência da emissão de dívida interna, com custos de juros mais altos, no quadro de uma relação da percentagem de despesas de juros/receita, já excecionalmente alta.

 

Gana incapaz de emitir Eurobonds em 2022

A agência de classificação internacional assumiu que o Gana não poderá emitir títulos nos mercados de capitais internacionais em 2022 e que as perspetivas de o fazer em 2023 são incertas.

“A posição da reserva internacional do Gana tornou-se altamente dependente da emissão anual de Eurobonds.”
“Além disso, em julho de 2021, os investidores não residentes detinham um pouco menos de 20% (5,8 mil milhões de dólares) da dívida pública pendente do Gana. Embora o vencimento dessas participações seja de longo prazo, uma saída [desses investidores] colocaria uma pressão adicional na queda das reservas do Gana”

A Fitch prevê que o Gana tenha que pagar aproximadamente 2,7 mil milhões de dólares (3,3% do PIB) em serviços soberanos de juros externos e pagamentos de amortização em 2022.

A Fitch salientou que a perda efetiva do Gana de poder aceder ao mercado de títulos internacionais aumenta os riscos para a sua capacidade de atender às necessidades de financiamento de médio prazo.

Mas sublinhou que:

“na nossa opinião, o Gana tem liquidez suficiente e outras opções de financiamento externo disponíveis para cobrir o serviço da dívida de curto prazo sem a emissão de Eurobonds.”
“No entanto, existe o risco de que os investidores não residentes no mercado de títulos locais possam vender as suas participações, principalmente se a confiança na estratégia de consolidação fiscal do governo enfraquecer ainda mais, pressionado pelas suas reservas que estão a baixar.”

Um outro ponto positivo realçado pela Fitch foi de que acreditam que o governo pode cumprir o serviço da dívida externa sem acesso ao mercado, dadas as suas reservas, que estimam em 7,9 mil milhões de dólares no final de 2021 (3,2 meses de pagamentos externos atuais).

“As reservas foram reforçadas por 3 mil milhões de dólares na emissão de Eurobonds no segundo trimestre de 2021, e pelas alocações de mil milhões em Direitos Especiais de Saque (DES) do FMI o que ajudou o governo a cumprir com aproximadamente 3,5 mil milhões de dólares (4,7% do PIB) em custos de serviço da dívida externa soberana no ano passado (2021)”

Acrescentou a Fitch.

 

O que achas do Gana? E da questão da dívida africana? Dá-nos a tua opinião, não hesites em comentar e se gostaste do artigo partilha e dá um “like/gosto”.

close
pub

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite o seu comentário!
Por favor, digite o seu nome aqui


Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.