George Weah à CEDEAO: É preciso acabar com o “Terceiro Mandato”

A antiga glória do futebol africano e mundial e atual presidente da Libéria, George Weah, vizinho da Guiné-Conacri, disse aos seus pares – os presidentes dos países da África Ocidental – que é a modificação das constituições por chefes de estado que explica a frequência dos golpes militares em África.

Falando na cimeira virtual extraordinária de chefes de estado da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) realizada nesta quarta-feira, 9 de setembro 2021, sobre os casos da Guiné-Conacri e do Mali, George Weah pediu aos seus homólogos que questionassem as raízes dos golpes na região, especialmente em função do recente golpe de estado ocorrido em Conacri no domingo, 5 de setembro 2021, nas primeiras horas da madrugada.

Longe de apoiar a intrusão dos militares na cena política, Weah questionou-se, tal como Mohamed Bazoum do Níger e Umaro Sissoco Embaló da Guiné-Bissau, sobre o ressurgimento por um lado, do golpe de Estado constitucional – ou seja, a revisão da constituição para permitir um terceiro mandato – e por outro lado, do militar.

“É possível que haja uma correlação entre estes eventos e as situações políticas em que as constituições são modificadas pelos titulares para remover os limites dos mandatos através de referendos?”, questionou-se Weah e questionou os outros presidentes durante a Cimeira.

De acordo com George Weah, “Se a remoção do limite de mandato serve como um gatilho para derrubar os governos, então talvez a CEDEAO deva fazer todo o possível para garantir que os limites de mandato nas constituições de todos os estados-membros sejam respeitados”.

O presidente da Libéria, George Weah, foi claríssimo e recordou que a frequência dos golpes militares em África tem sido o resultado da modificação das Constituições pelos Chefes de Estado.

As análises e propostas de Georges Weah certamente não caíram bem, sobretudo, no presidente da Costa do Marfim, Alassane Ouattara, que mudou a constituição para poder ser reeleito para o terceiro mandato no final de 2020.

Em todo o caso, temos que dar crédito e louvar a atitude de Georges Weah, que pôs “o dedo na ferida” e disse o que tinha de ser dito e aonde se devia, isto é, durante a Cimeira da CEDEAO e olhando os seus colegas presidentes “olhos nos olhos”.

Esperemos que esta atitude corajosa de Georges Weah, sirva de algo e que se termine “a loucura” do “terceiro mandato”

pub

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite o seu comentário!
Por favor, digite aqui o seu nome


Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.