Golpe de Estado no Sudão.

Os acontecimentos atuais no Sudão não deixam a comunidade internacional indiferente. Pouco depois das prisões na manhã de segunda-feira, 25 de outubro 2021, a UA, os EUA, a União Europeia e a Liga Árabe expressaram preocupação com a tentativa de golpe militar.

Esta segunda-feira, o general Abdelfatah al Burhan, presidente do Conselho Soberano, o mais alto órgão de poder no processo de transição do Sudão, anunciou a dissolução do Governo e o próprio conselho e leu uma declaração na televisão estatal em que anunciou a instauração de um estado de emergência em todo o país.

Na declaração, Burhan salientou que o “acordo equilibrado” entre civis e militares se transformou numa “luta entre parceiros de transição”, luta essa que “ameaça a paz e segurança” do Sudão. O general argumentou ainda que a “luta partidária e a ambição política” de vários elementos no poder, bem como o “incitamento à violência”, forçaram o Exército a reagir.

Por isso, os militares devem agora ser chamados a garantir a estabilidade. Será nomeado um novo Governo “independente” e “competente” até à realização de eleições, previstas para “julho de 2023”.

Moussa Faki, presidente da Comissão da União Africana apelou à “retoma imediata das consultas entre civis e militares” afirmando-se consternado com o ocorrido.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) também já continuou o “golpe militar em curso” no Sudão e apelou à libertação “imediata” do primeiro-ministro, Abdallah Hamdok, detido pelos militares e que se encontra em paradeiro desconhecido.

“Estamos a acompanhar com grande preocupação os acontecimentos que estão ocorrendo no Sudão. A União Europeia apela a todas as partes interessadas e parceiros regionais para que recuperem o processo de transição”, afirmou Josep Borrell, o Alto Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, numa publicação no Twitter.

Pouco antes dessa declaração, os Estados Unidos, por meio do enviado americano ao Corno de África, Jeffrey Feltman, expressaram “profunda preocupação” com os anúncios de detenções de líderes civis no Sudão por forças militares. Acrescentando que estes eventos são “contra a declaração constitucional e as aspirações democráticas do povo sudanês”.

Por sua vez, o secretário-geral da Liga dos Estados Árabes, o egípcio Ahmed Aboul Gheit, em nota, não escondeu a sua “profunda preocupação”, antes de apelar a “todas as partes para respeitarem” o acordo de partilha de poder estabelecido em 2019 após a queda de Omar al-Bashir.

Recorde-se que o primeiro-ministro sudanês e vários líderes civis foram presos na manhã desta segunda-feira, 25 de outubro 2021, por homens armados. Abdallah Hamdok, colocado em prisão domiciliar, foi transferido de sua casa para um local desconhecido após se recusar a apoiar o golpe militar em andamento.

A sede da emissora estatal em Omdurman também foi invadida, disse a fonte, e a Internet foi cortada. Outras fontes também relatam o encerramento do aeroporto de Cartum e a suspensão dos voos internacionais.

O exército está nas ruas de Cartum, enquanto os manifestantes tentam se reunir e a oposição clama pela desobediência civil.

Esses eventos acontecem após semanas de tensão entre as autoridades civis e militares, e menos de um mês desde a planejada transferência de poder para os civis.

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