Guerra de licenças 5G na Etiópia.

Após ter encerrado mais de duas décadas de monopólio estatal e abrir o setor de telecomunicações à concorrência em 10 de junho de 2019, a Etiópia concedeu este sábado, 22 de maio, uma licença para a implantação de internet 4G e 5G a um consórcio britânico-queniano. 

São elas a queniana Safricom e a sul-africana Vodacom, subsidiária da gigante britânica Vodafone por uma licença no valor de 850 milhões de dólares com um investimento de 8,5 mil milhões de dólares nos próximos dez anos.

Esta primeira licença foi atribuída às custas do consórcio liderado pela gigante sul-africana MTN, apoiado pelas gigantes chinesas Huawei e ZTE, elas próprias apoiadas por financiadores chineses e Pequim para serem selecionadas para implantar infraestruturas 4G e 5G.

O consórcio liderado pela Vodafone que foi selecionado conta com o apoio de Washington, que deverá fazer negócios com fabricantes de equipamentos Ericsson, Nokia ou Samsung. 

Parece que alguns operadores globais, tais como a francesa Orange, que tinham mostrado interesse, finalmente não participaram, devido a uma condição ligada às licenças que impede os vencedores de oferecer serviços de dinheiro móvel. Dada a força da Orange em serviços financeiros em África, é altamente possível que seja por isso que a mesma se tenha recusado a fazer uma oferta.

A condição da oferta de serviços relativa ao dinheiro móvel é uma forma de dar uma vantagem à operadora estatal etíope Ethio Telecom, que deve ser privatizada como parte do processo de liberalização. 

A Ethio Telecom lançou o serviço de dinheiro móvel telebirr no início deste mês, oferecendo aos usuários a capacidade de depositar dinheiro, pagar contas, enviar e receber dinheiro, com planos de adicionar novas ofertas ulteriormente.

Em resumo, a terrível batalha de lobby nos bastidores em torno do 5G, que Washington e Pequim travam na Europa, é transportada para o continente africano por operadores e fabricantes de equipamentos chineses e ocidentais.

Este vasto programa de liberalização do sector das telecomunicações na Etiópia deverá prosseguir com a atribuição de outras licenças que permitam à empresa nacional de telecomunicações Ethio Telecom abrir o seu capital a outros grupos de operadores privados com todo o pacote de investimento que o acompanha. 

Espera-se que a privatização de um setor que antes era monopólio estatal acelere o crescimento do acesso móvel e à Internet na Etiópia, que tem um mercado potencial de 100 milhões de pessoas.

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