Mercados Africanos : A Ministra refere-se a uma diplomacia dinâmica, o quê é? e o que se pretende com isso?

Suzi Barbosa: O Presidente da República (Guiné-Bissau), fala numa diplomacia agressiva, eu digo uma diplomacia dinâmica. Neste momento eu tenho que reconhecer, as portas estão muito mais abertas que antes. O fato de termos umas eleições justas, livres e transparentes e com um Presidente da República que resulta ser uma pessoa com muitos contactos internacionais, uma pessoa muito querida na sub-região e que tem contatos no mundo inteiro, a mim Ministra dos Negócios Estrangeiros abriu-me muitas portas e facilitou-me o trabalho, pois permitiu-me que tivesse uma diplomacia mais dinâmica, prova disso é o número dos chefes de Estado que têm estado a vir a Guiné-Bissau constantemente, coisa que não sucedia há muitos anos. A vinda desses chefes de Estado não é só uma questão da visita, vem no âmbito da cooperação bilateral e na verdade, tem estado a ter impacto, porque muitas das Avenidas que estão a construir é no âmbito destas visitas dos Chefes de Estado para ajudar no desenvolvimento da cidade de Bissau, que nós enquanto Estado não temos os meios suficientes para fazê-los.

Em relação ao sector da educação recentemente, eu estive numa visita a Marrocos, conseguimos um aumento de número de bolsas que era um dos grandes problemas que a Guiné-Bissau tem, com Portugal o número de vagas tem aumentado substancialmente, é a prova de que a nossa diplomacia está a ter êxito e a cooperação com os nossos países parceiros, é cada vez mais intensa.

Mercados Africanos: Não é inédito, a Guiné-Bissau tem tido nos últimos anos muita disponibilidade dos parceiros e não acontece só em relação a este governo.

Suzi Barbosa: Sim, não é inédito, o inédito é a vinda dos chefes de Estado. Nos anteriores governos, nós íamos para fora, mas agora, há uma vontade de se vir para a Guiné-Bissau. Desde o dia 24 de Setembro, que foi dia da celebração da nossa festa nacional para agora, estiveram no país quase dez Chefes de Estado em menos de dois meses. Isso é inédito e é uma  vontade dos chefes de Estado, não só da sub-região, mas também dos outros países de virem contribuir para o desenvolvimento da Guiné-Bissau. Isso é inédito, é um foco de esperança de que realmente, as pessoas começam acreditar que há condições de apostar no país. Fato que motiva o investimento privado que tanto precisamos.

Mercados Africanos: Ministra, algum comentário do fato da Guiné-Bissau assumir a presidência rotativa da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO)

Suzi Barbosa:  Eu acho que a Guiné-Bissau tem um direito, enquanto Estado membro fundador da CEDEAO de assumir a presidência, até porque não é correto, sendo um Estado cumpridor das suas  prestações na CEDEAO, que não possamos também dirigir esta instituição. O que tem acontecido é que, permanentemente tem sido os países Anglófonos e Francófonos,  e os países Lusófonos não têm tido esta oportunidade. Acreditamos que é a hora de marcarmos a nossa presença e demonstrar a mesma capacidade que os outros países têm tido na liderança desta organização sub-regional.

Mercados Africanos: E a CPLP também como é que entra nesse equilíbrio de forças internacionais?

Suzi Barbosa: Eu acho que é de todo interesse para a CPLP, porque a Guiné-Bissau sendo um país Lusófono, é importante ter essa influência na CEDEAO, porque da certa forma, a voz da Guiné-Bissau na CEDEAO é a voz da CPLP e vai engrandecer ainda mais a CPLP.

Mercados Africanos: Ministra que balanço faz da reunião da CPLP?

Um balanço positivo, nós apresentamos a recandidatura do professor Canha Ntumbo á frente do Instituto de Língua Portuguesa (ILP), a Guiné-Bissau sendo um país pequeno, demonstrou que não é um pequeno estado, como diz sempre o nosso Presidente. Conseguimos à frente dos demais países manter, como o Diretor do ILP um guineense, isso para nós é uma vitória. E também acredito que dentro do espaço da CPLP, vamos ganhando o respeito e a consideração do Estado que somos, porque a voz da Guiné-Bissau é ouvida e nós estamos a participar ativamente  naquele processo de mobilidade no espaço da CPLP.

Mercados Africanos: Os ganhos são visíveis no ILPE com a participação da Guiné-Bissau?

Suzi Barbosa: Sem sombras de dúvidas, porque há países interessados em dirigir o Instituto de Língua Portuguesa (ILP). O ILP tem vantagens, porque nós temos como língua oficial o português, e neste ano houve três projetos  financiados pelo Brasil que beneficiaram os países membros e foram dirigidos por um Diretor da Guiné-Bissau e sem dúvidas que são visíveis os ganhos.

Mercados Africanos: Ministra, o Gabinete da UNIOBIS fecha as suas portas no dia 31 de Dezembro. Ainda fica por esclarecer a situação do ex Primeiro-ministro Aristides Gomes. Há algum desenvolvimento deste caso ou não?

Suzi Barbosa: É verdade, a missão da UNIOGBIS termina a 31 e estava previsto não é uma novidade, eu estive na cerimónia oficial em representação do Presidente da República, é uma etapa que termina, mas as agências das Nações Unidas vão continuar cá, mas sem esta configuração da UNIOGBIS que para nós, já não se justifica. A UNIOBIS foi aberta na Guiné-Bissau num período pós guerra e neste momento, no país não se vive o clima de guerra de instabilidade. Quanto ao ex Primeiro-ministro, Aristides Gomes, eu continuo a dizer que não se justificava ele ter ido  para a sede das Nações Unidas, eu não sei o motivo que o levou, mas   eu não posso avançar mais nada, é uma questão que tem a ver com a justiça e nós enquanto governo, não podemos interferir nas decisões judiciais e temos que respeitar a separação dos poderes, contudo, faço votos que as  coisas corram da melhor forma possível.

Mercados Africanos: O ex PM disse que a sua vida estava em risco?

Suzi Barbosa: Para ser sincera, na Guiné-Bissau, acho que nenhuma vida corre o risco, nós somos um país pacífico e as pessoas que vivem cá não veem agressividade, não temos índice de criminalidade e em nenhum momento houve ameaça de vida e nenhuma morte nos últimos tempos.

Mercados Africanos: Portanto não vê qualquer justificação nestes discursos?

Suzi Barbosa: Eu sinceramente não entendia o motivo, não vejo o ambiente de violência, nem de ameaça e nem acredito. Todos os demais políticos estão em Bissau e ninguém foi atingido. Até hoje ninguém foi  preso ou morto. Dou graças a Deus, porque há países onde há instabilidade, violência e criminalidade, mas não é o caso da Guiné-Bissau.

Mercados Africanos: Fica mais uma vez adiada por imponderáveis a visita do Primeiro-ministro de Portugal. Há uma nova data agendada? O que é que ficou por fazer?

Suzi Barbosa Chefe da Diplomacia: Antes de mais, nós entendemos que era impossível a vinda com o risco de poder estar num período de quarentena, porque ele esteve com o Presidente Macron e entendemos o adiamento. Na verdade, ele não veio, mas a equipa técnica esteve cá, o vice-presidente do Instituto Camões, esteve a trabalhar com a equipa técnica do Ministério dos Negócios Estrangeiros, nós concluímos todo o trabalho. O objetivo desta visita era a assinatura do Plano de Cooperação entre os dois países (PEC), para o próximo quinquénio. Na verdade, este trabalho foi feito, falta apenas a confirmação de uma nova data para vinda do Primeiro-ministro António Costa a Guiné-Bissau para assinatura desse PEC, por ser uma vontade demonstrada por ele, ou seja que esse novo PEC fosse assinado em Bissau.

Mercados Africanos Quais são as prioridades desse programa indicativo de Cooperação com Portugal?

Suzi Barbosa Ministra dos Negócios Estrangeiros: Sempre o PEC com Portugal tem dois sectores prioritários que são Educação e saúde. Basicamente são nestes dois sectores que nós versamos e é um plano para cinco anos e depois o orçamento anual. Um plano um pouco mais ambicioso que o anterior, e nós pensamos que irá tocar outros sectores que são da nossa prioridade, casos do ambiente, da defesa, da formação.

Mercados Africanos: Portugal continuará a ser um parceiro de cooperação privilegiado e quais são os outros que privilegiam?

Portugal sem dúvida é um parceiro estratégico para a Guiné-Bissau, sobretudo a nível da Europa e nós temos outros parceiros e em África posso citar, o Senegal, à Nigéria e também temos novos parceiros que nos ajudem a desenvolver o país caso da Turquia. A Guiné-Bissau, um país em vias de desenvolvimento e que perdeu muito anos, que devido às constantes instabilidades não conseguiu ter desenvolvimento suficiente para ter as condições de vida que se querem mínimas para a população. Por isso é importante aproveitar este período de estabilidade que estamos a viver, um período em que há finalmente harmonia e um bom relacionamento entre as instituições, Presidência da República, Governo, Parlamento que nos últimos seis anos não havia essa boa harmonia. Com esta estabilização do país, eu penso que haverá condições de motivar investimento e de haver um desenvolvimento real, criando postos de trabalho, criando esperança de que realmente as coisas vão normalizar.

Mercados Africanos: A Ministra fala da boa relação entre as instituições, numa altura em que o Presidente da República ameaçava dissolver o Parlamento?

Suzi Barbosa: Esta é uma prorrogativa que o Presidente sempre terá, o que é certo, houve a reunião do Conselho de Estado e concluíram que não havia necessidade de se dissolver o Parlamento. Mas houve bom censo, houve diálogo e chegou-se a um entendimento. Isso por si só, é uma demonstração de que estamos num período de estabilidade. No passado, quando isso se sucedia houve derrubes do governo e neste momento a situação é diferente.

Mercados Africanos: Uma situação que não é vista da mesma forma por todos os atores políticos

Suzi Barbosa: Eu acho que muitas das vezes, os comentários excedem o que é a realidade. Estamos a trabalhar com toda normalidade, o Parlamento está funcionar, coisa que não acontece durante muito tempo no passado e todas as instituições do Estado continuam a fazer o seu trabalho.

Mercados Africanos: Muito obrigado

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