Guiné-Bissau: Inverter a exportação de caju.

 

Arrancou a campanha da castanha de caju o principal produto de exportação da Guiné-Bissau, motor do crescimento económico do país, e da qual depende direta ou indiretamente 80% da população guineense.

O Governo guineense fixou em 375 francos Fcfa (cerca de 0,57 euros) o preço de referência de compra aos agricultores do quilograma de castanha de caju, admitindo a retirada de licenças a quem tentar adquirir caju aos agricultores por valores inferiores.

Este valor é um pouco mais alto daquele que foi atribuído em outros países da sub-região como por exemplo o Benim que fixou o preço a 350Fcfa.

Durante a cerimónia do lançamento da campanha, o presidente em exercício da Camara de Comércio Indústria Agricultura e Serviços (CCIAS) Mama Samba Embaló enfatizou no seu discurso a necessidade da:

“Inversão da tendência da exportação bruta do caju para uma substancial transformação local e para tal é indispensável a valorização do caju da Guiné-Bissau, através da promulgação pelo governo do caju guineense, como “caju biológico” (Marca Nacional)”.

“Bem como da criação de um portal e de materiais promocionais do “caju biológico da Guiné-Bissau” para a promoção do país e das Potencialidades do caju guineense”.

O presidente da CCIAS, não deixou de lembrar no seu discurso algumas das medidas prioritárias para a campanha de comercialização da castanha de caju – colheita 2022, entre elas:

 “Garantia da Exportação do Stock de Castanha de Caju – Colheita 2021, ainda por exportar, aos respetivos destinatários; Garantia de Stock de Contentores para Transporte no Porto de Bissau, para a Exportação da Castanha de Caju – Colheita 2022”.

Estas duas medidas prioritárias prendem-se com as preocupações sentidas pelo setor no respeitante aos contentores de caju exportados o ano passado (2021) e que ainda não chegaram ao destino e a uma parte do stock também do ano passado que ainda não foi exportado.

A agravar a situação, encontra-se a falta de contentores, devido à saída do país de uma das maiores empresas de transporte de mercadorias marítimas do mundo, a dinamarquesa Maersk.

No respeitante á questão das iniciativas prioritárias para a campanha de comercialização da castanha de caju Mama Samba Embaló considerou urgente a implementação das seguintes medidas:

“Atribuição de Créditos Financeiros para Incentivar os produtores, transformadores e exportadores nacionais; Apoiar Unidades de Transformação do Caju; Maior apoio a Cooperativas de Agricultores Nacionais; Certificação da Castanha de Caju e dos seus derivados para exportação”.

“E acima de tudo, a Criação da Marca Nacional – Caju Biológico da Guiné-Bissau, para uma maior valorização e cotação do caju guineense, a nível nacional e internacional”.

Recorde-se que na campanha de comercialização do caju de 2021, a Guiné-Bissau bateu um recorde de exportação de 232 toneladas, o que significou uma receita de 18 mil milhões de francos Fcfa (cerca de 27 milhões de euros) para os cofres do Estado.

Para a Guiné-Bissau, assim como para os outros países africanos exportadores de castanha de caju, sobretudo depois das lições aprendidas durante a pandemia, é fundamental que os atores públicos e privados do sector do caju em África, imperativamente se virem para o processamento e criem as condições para se investir na cadeia de valor do setor.

 

O que achas desta campanha do caju na Guiné-Bissau? E da falta de processamento da matéria-prima em África? Queremos saber a tua opinião, não hesites em comentar e se gostaste do artigo partilha e dá um “like/gosto”.

 

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Imagem: © 2019 USDA

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