Guiné-Bissau: Madina de Boé, 24 de Setembro de 1973.

Embora o país, não celebre oficialmente, nesta sexta-feira, 24 de setembro 2021, o 48° aniversário da sua Independência – o presidente Sissoco Embalo decidiu adiar as celebrações do 24 de setembro – Mercados Africanos, relembra o 24 de setembro de 1973, tal como o fez nas datas que celebraram as independências de Cabo Verde, de São Tomé e Príncipe e de Moçambique e que fará quando Angola, recordar o 11 de novembro de 1975.

Há 48 anos, o povo guineense, liderado pelo PAIGC, realizou um dos acontecimentos que ficou na história do continente africano.

Soube organizar-se, aprender e teve a capacidade e coragem de enfrentar um exército colonial, bem equipado e treinado e um regime colonial através de uma guerra de libertação.

A 24 de setembro de 1973, em Madina do Boé – na região oriental do país – proclamou a sua independência de Portugal, de forma unilateral, assumindo a partir dessa altura a sua liberdade e o direito de dirigir os seus destinos e o seu futuro, o bom e o menos bom.

Amílcar Cabral (1924 - 1973)
Amílcar Cabral (1924 – 1973)

Infelizmente, é inegável, que o balanço do que foi até agora esse futuro não é positivo, tendo a fragilidade política e institucional marcado a maior parte destes 48 anos.

Por um lado, a falta de instituições fortes que possam criar as condições para que politicas económicas e sociais, transformadoras, possam responder aos anseios da população e possibilitem um ambiente propício aos investimentos que o país tanto precisa.

Por outro lado, uma reforma do setor da defesa e segurança incompleta e um sistema judiciário ainda relativamente arcaico.

A Guiné-Bissau, aparece em todos os relatórios económicos internacionais como um dos países mais pobres do mundo, leitura incorreta no nosso ponto de vista.

Esse país ancorado na geografia e história da África Ocidental tem um potencial rico, mas uma população pobre, cuja dependência da castanha de caju para a sobrevivência económica expõe dois terços dela a choques dos termos de troca.

Daí a necessidade de políticas que permitam criar um ambiente que conduza a investimentos nos setores transformadores da economia do país.

No Entanto, um código de investimentos ou uma legislação que facilite os mesmos, não é suficiente.

É fundamental que a Guiné-Bissau seja promovida, positivamente, no exterior, que se coloque o acento tónico no potencial do país, mas sobretudo que a imagem de fragilidade política e institucional desapareça.

Mas isto, só os guineenses o podem fazer. Se houver visão e vontade, seguramente que não são os homens e mulheres que faltarão.

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