O presidente da Agência Nacional de Caju (ANCA), Caustar Dafa, informou que a Guiné-Bissau perdeu entre 50 a 75 mil toneladas da castanha de caju que saíram clandestinamente, através das fronteiras com o Senegal, a Guiné-Conacri e por via marítima para a Gâmbia.

O responsável da ANCA fez estas afirmações durante a entrevista Mercados Africanos para falar sobre a exportação da castanha, a perspetiva para o próximo ano e as estratégias levadas a cabo para dinamizar as pequenas unidades do processamento da castanha de caju.

Caustar Dafa disse que a fuga da castanha para os países vizinhos deveu-se a demora na abertura de balança para a campanha de caju, por causa da pandemia do novo coronavírus (covid-19) que abalou o mundo, levando as autoridades a avançarem com medidas de restrições.  Frisou que o preço clandestino que se praticava, na altura, no Senegal e noutros países vizinhos era o mesmo que se vendia na Guiné-Bissau, tendo lembrado que se previa a exportação de mais de 300 mil toneladas de caju, mas a situação da pandemia limitou a capacidade de operadores, informando que o país conseguiu exportar 152 mil toneladas.

ANCA prepara próxima campanha de caju com “preocupação” devido a pandemia

O presidente da ANCA, Caufar Dafa, reconheceu que a crise sanitária provocada pela pandemia do novo coronavírus que se regista no mundo, desde o dezembro de 2019, prejudicou bastante a economia de muitos países e a Guiné-Bissau, em particular, o setor de caju não conseguiu escapar os efeitos desta pandemia. Explicou que a Guiné-Bissau fazia abertura da balança para a comercialização da castanha entre os meses de fevereiro, março e o mais tardar até abril, mas com a pandemia, este ano fez-se no mês de junho.

“Esta demora da abertura de balança assustou os parceiros nacionais e internacionais, e também os agricultores que ficaram pasmado, porque não conseguiram vender os seus produtos devido às restrições impostas na altura. Isso fez com que alguns agricultores levaram as suas castanhas, através das fronteiras com o Senegal, a Guiné-Conacri e a Gâmbia, por via marítima. Perdemos aproximadamente 50 a 75 mil toneladas que escapou devido à demora na abertura de balança”, assegurou o responsável da agência, para, em seguida, afirmar que o preço clandestino que se praticava na altura tanto no Senegal e noutros países vizinhos era o mesmo que se vendia na Guiné-Bissau.

Caustar Dafa afirmou que o preço base da comercialização da castanha de caju fixado em 375 francos cfa (menos de um Euro) são entre outras razões que contribuíram para o “insucesso” da campanha de caju de 2020, tendo lembrado, na sua comunicação, que, antes da crise sanitária, o preço indicativo previsto era de 350 a 500 francos cfa e acabou por ser fixado em 500 francos cfa. Enfatizou que o surgimento da pandemia levou as autoridades a refazer os cálculos e fixar o preço da castanha em 375 que, segundo ele, era o preço mais aceitável devido a conjuntura.

“Os nossos parceiros internacionais que vinham sempre comprar a nossa castanha não podiam deslocar-se dos seus países devido ao fecho das fronteiras. Isso fez com que o ano agrícola deste ano, no que concerne à comercialização da castanha de caju, não correu bem como almejamos”, lamentou.

 O responsável disse que se previu para a presente campanha de caju a exportação de mais de 300 mil toneladas de caju, mas “infelizmente não chegamos a este número por causa das perdas que sofremos”.

“Exportamos até neste momento 152 duas mil toneladas. Estamos a preparar agora a campanha de 2021, tomando em conta a situação da pandemia e as medidas da prevenção impostas. Julgo que a abertura da campanha de comercialização de caju do próximo ano seja quanto antes. Já lançamos o concurso para a aquisição e venda de sacos da primeira qualidade para a exportação da castanha de caju. A nossa missão é regular o processo da castanha de caju, e sendo uma agência reguladora começamos com recipientes. Nós não fazemos negócios, portanto não podemos estar a vender sacos!  Por isso, sendo uma agência pública, lançamos o concurso público”, contou.

 Informou que fizeram o concurso para evitar a anarquia, porque “por mais pequenos que somos, somos um Estado e merecemos a ordem e esta ordem imposta ajudará para a criação da condição no tratamento da castanha”.

Solicitado a pronunciar-se sobre o preço da castanha de caju no mercado internacional e, sobretudo, neste período da coronavírus, o presidente da ANCA disse que atualmente o preço da castanha caiu no mercado, por causa das restrições da circulação em todos os países, fato que, segundo a sua explicação, levou a escassez da amêndoa da castanha de caju no mercado internacional.

 Recordou que uma vez foi solicitado por seus parceiros brasileiros que têm uma linha com o Canada e que pediam, de imediata, dez mil toneladas da amêndoa da caju e se havia aquela quantidade na Guiné-Bissau para exportar.

“Tentamos sondar as unidades que processam a castanha no país, mas não conseguimos. Algumas unidades processam por encomenda e as outras não têm a capacidade para processar aquela quantidade. Infelizmente, informamos-lhes que não estamos em condições de satisfazer os seus pedidos”, lamentou.

Assegurou que, além do Brasil, a amêndoa de caju da Guiné-Bissau é solicitado pela China, Portugal e os Estados Unidos, porque “ela tem a qualidade. O solo que temos é um solo que dá nutriente a castanha da Guiné-Bissau. Por isso, tem uma certa diferença em relação à castanha de outros países”.

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