– Artigo de Opinião –

Guiné-Bissau: Retrato de um país politicamente à deriva (II)

Sabino Santos, jornalista guineense do Última Hora, enviou-nos um artigo de opinião sobre a situação vigente na Guiné-Bissau, esta é a segunda parte.

 

A actuação Presidencial

Ciente do elevado nível da contestação ao seu poder, o atual Presidente da República já experimentou vários métodos para controlar a situação, tendo aplicado os resultados tanto para a oposição, como com os seus próprios aliados.

Começou com ataques a imprensa, desvalorizando a qualidade dos jornalistas e os conteúdos por eles produzidos, sem pôr de lado as conotações políticas que fazia para cada um ou para o grupo, passando pelas ameaças e insultos aos adversários e instituições, terminando com as agressões a profissionais e às suas instituições.

No meio de tudo isso, há uma evidente estratégia de calar o debate sobre importantes assuntos da vida política, económica e social da Guiné-Bissau.

Não se fala sobre o ensino, paralisado durante estes últimos dois anos; não se fala das condições de saúde; não se fala do desrespeito às deliberações da ANP.

Caso mais recente foi a resolução contra o Acordo assinado com o Senegal para a exploração de hidrocarbonetos sem o conhecimento do Governo.

Ou o caso, do Airbus A 340, surgido de proveniência desconhecida, há cerca de 3 meses, em que todas as indicações apontam para o envolvimento da Presidência da República, mas ninguém dá nenhum tipo de esclarecimento ou toma uma posição sobre o assunto.

 

A observância da lei

Preocupante em tudo isso é que nenhuma lei do país é respeitada, por isso, não se impõe a observância de nenhuma regra.

A justiça guineense desacreditada, na era de José Mário e agravada com o contencioso eleitoral de Umaro Sissoco Embaló, tornou-se numa arma de arremesso para os adversários políticos.

Sobre qualquer matéria, antes de dar entrada nas instâncias competentes, a decisão é já conhecida por alguns magistrados que são nitidamente instrumentalizados.

O Ministério Público deliberadamente persegue certos sectores políticos, económicos e sociais, levando a que muitos empresários perdessem os seus negócios.

Os tribunais caíram na hibernação e a Ordem dos Advogados saiu de cena, desde que a sua sede foi abusivamente tomada pela Presidência da República.

A liberdade de manifestação praticamente não existe, porque o poder impõe condições simplesmente impossíveis de observar e, em alguns casos, ordena a agressão, como aconteceu com os médicos há quatro meses atrás.

 

Conclusão

Recentemente, o espaço para o debate político deu lugar a violência, com o ataque mortífero ao Palácio do Governo e a restrição da liberdade de expressão e de opinião com a consequente destruição de todo o material da Rádio Capital FM.

Tudo isso e muito mais, acontece presentemente, num ambiente político de indefinição total.

 

Segues a situação na Guiné-Bissau? O que achas deste artigo de opinião? Queremos saber o que pensas, não hesites em comentar e se gostaste do artigo partilha e dá um “like/gosto”.

 

Ver Também:

Guiné-Bissau: Retrato de um país politicamente à deriva (I)

Autor

  • Licenciado em Administração e Economia, pela Universidade Colinas de Boé , iniciou a sua carreira como jornalista no Jornal Ultima Hora, de que é fundador com o jornalista Athizar Mendes Pereira.

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