Guiné-Conacri: Ex legionário do Exército francês lidera golpe de estado

Desde o início da manhã de domingo, 5 de setembro 2021, o bairro do palácio presidencial foi palco de pesados ​​tiros. Este golpe é liderado pelo Grupo de Forças Especiais, comandado pelo Tenete-Coronel Mamady Doumbouya.

No vídeo que acompanha esta notícia, vê-se Alpha Condé cercado por soldados em uniformes, mascarados e de armas nas mãos, sentado num sofá do palácio presidencial.

O presidente guineense parece atordoado, a camisa e calcas “jeans” meio aberta e descalço.

“Algum do seu cabelo foi tocado? foi brutalizado, Excelência?” Pergunta um soldado no vídeo gravado.

Alpha Condé, 83, parece estar bem, mas permanece em silêncio. Os conspiradores do golpe levaram apenas algumas horas para prender o homem que governou o país durante onze anos.

Tudo aconteceu muito rapidamente e começou por volta das 8h00 com tiroteio forte e disparos de armas pesadas, ouvidos durante toda a manhã nos arredores do palácio presidencial onde o chefe de estado estava localizado. De acordo com fontes bem informadas ele já foi retirado do Palacio Presidencial, mas Mercados Africanos, não sabe ainda para onde…

Ao meio-dia, circulou nas redes sociais um depoimento de Mamady Doumbouya, em língua Malinké da região de Kankan, que segundo as informações que circulam é este tenente-coronel e os seus homens do Grupo de Forças Especiais (GPS), unidade elite do exército bem treinada e equipada, que estão na origem do golpe de Estado.

Neste vídeo, boina vermelha na cabeça e óculos escuros no nariz, rodeado por dois soldados, Mamady Doumbouya anuncia que “a situação sociopolítica e económica do país, o disfuncionamento das instituições republicanas, a instrumentalização da justiça, o atropelamento dos direitos dos cidadãos, a má gestão financeira […] levaram o exército republicano a assumir as suas responsabilidades perante o povo guineense. “

Também anuncia a dissolução da Constituição, do governo, das instituições e do encerramento das fronteiras. Finalmente, ele anuncia que um “Comité Nacional de Reagrupamento e Desenvolvimento, CNRD” assumiu o poder.

Antigo legionário do exército francês, Mamady Doumbouya havia sido chamado de volta à Guiné para assumir a chefia do GPS em 2018. Nos últimos meses, o seu desejo de fortalecer o GPS do Ministério da Defesa havia despertado desconfiança nos círculos do poder em Conacri. Em maio, boatos infundados sobre a sua possível prisão chegaram até a circular na capital guineense.

O líder dos conspiradores do golpe, apelou aos seus “irmãos de armas à unidade” e à permanência no quartel. Esta é a grande questão neste momento: será que os golpistas serão seguidos pelo resto do exército?

Mercados africanos recorda que Alpha Condé chegou ao poder em 2010 e foi reeleito em 2020 para um terceiro mandato após uma revisão controversa da Constituição, o que uma vez mais desagradou á maioria étnica do país – Fula – que se sente marginalizada e perseguida desde a Independência em 1958.

Mercados Africanos vai continuar a seguir a situação e analisar as implicações para os países vizinhos e a África Ocidental em geral

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