Guiné-Conacri: ONU, AU e CEDEAO pedem libertação de Alpha Condé

Desde domingo (5 setembro 2021), a figura atlética do tenente-coronel Mamady Doumbouya, está na primeira página de todos os meios de comunicação guineenses e africanos.

Boina vermelha, óculos escuros que cobrem o rosto, Mamady Doumbouya apareceu aos guineenses ao pronunciar ao meio-dia de domingo, 5 setembro 2021, um ataque verbal contra o poder que ele considerou autocrático. O homem que “capturou” Alpha Condé, e terminou 11 anos de poder, escolheu bem o seu ângulo de ataque.

O presidente guineense acabava de regressar das suas férias na Sardenha (Itália) uma ilha paradisíaca. Considerando os rumores que circulavam há já semanas sobre a sua possível prisão, Mamady Doumbouya sabia, que esta poderia acontecer a qualquer momento.

Mamady Doumbouya ainda tem de convencer os altos oficiais do exército guineense e, também, uma comunidade internacional que condena, como repetiu a União Africana no seu comunicado de imprensa sobre a situação na Guiné, “qualquer tomada de poder pela força”.

Por enquanto, o comandante das forças especiais garante o controle do palácio presidencial e dos principais locais em Conacri e anunciou a mobilização de algumas unidades no interior do país. Segundo fonte próxima do estado-maior guineense, há negociações entre os golpistas e as várias unidades do exército.

As primeiras declarações de Doumbouya terão o efeito de desbloquear a situação? Veremos como será a reação do exército nas próximas horas.

Em todo o caso, se o exército se demora a se reunir em torno de Doumbouya, as ruas guineenses parecem ter aprovado o golpe e viram-se imagens de alegria nas ruas da capital guineense.

Enquanto isso, os guineenses estão agora a descobrir um pouco mais sobre – o que tudo parece – o novo homem forte do país.

A carreira do tenente-coronel Mamady Doumbouya indica este ser um oficial experiente. Originário da região de Kankan, o coronel e comandante do Grupo de Forças Especiais do Exército Guineense é um oficial licenciado da Escola de Guerra.

Com mais de quinze anos de experiência militar, nomeadamente durante missões operacionais (Afeganistão, Costa do Marfim, Djibouti, República Centro-Africana) e proteção individual (Israel, Chipre, Reino Unido, Guiné).

Mamady Doumbouya seguiu a formação de especialista em proteção operacional na International Security Academy (Israel), o curso de comandantes de unidade na Escola de Aplicação de Infantaria (EAI – Senegal), e o de oficial de estado-maior (EEML Libreville) e a Escola de Guerra de Paris.

Em 2018, Alpha Condé pediu ao ex-legionário do exército francês – o líder dos golpistas – que regressa-se a Conacri e confiou-lhe a liderança do corpo de elite das forças especiais antiterroristas, superequipada e com elementos experientes em operações especiais.

O Conselho de Paz e Segurança da União Africana vai reunir-se de urgência para examinar a nova situação na Guiné-Conacri e tomar as medidas adequadas às circunstâncias e invocam sanções.

“O atual presidente da União Africana, Félix Tshisekedi, e o presidente da comissão da União Africana, Moussa Faki Mahamat, condenam qualquer tomada de poder pela força e pedem a libertação imediata do Presidente Alpha Conde”, diz o comunicado de imprensa publicado no site da organização.

Por sua vez, a CEDEAO, por meio do ganês Nana Akufo Addo, o seu atual presidente em exercício, expressou “grande preocupação” e “condena nos termos mais veementes” a “tentativa de golpe”.

E acrescentou que a CEDEAO “exigia” respeito pela integridade física do Presidente Condé e pela sua “libertação imediata e incondicional, bem como de todos os detidos”, e pediu um retorno à ordem constitucional “sob pena de sanções”.

Por seu lado, António Guterres, Secretário-geral da ONU, apelou numa publicação no Twitter, “à libertação imediata do Presidente Alpha Condé” e disse que está a seguir a situação na Guiné-Conacri “de muito perto”.

A Guiné-Conacri, país da África Ocidental que faz fronteira com a Guiné-Bissau tem vindo a enfrentar, nos últimos meses, uma crise política e económica, agravada pela candidatura do Presidente Alpha Condé a um terceiro mandato a 18 de outubro de 2020, considerado inconstitucional pela oposição, que resultou em dezenas de mortes e na detenção de dezenas de opositores.

pub

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite o seu comentário!
Por favor, digite aqui o seu nome


Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.