Há cada vez mais empresárias africanas que apostam na inovação.

Um estudo da UNESCO revela que uma em cada quatro empresárias africanas criou negócios inovadores, segundo comunicado divulgado por essa organização a 19 outubro 2021.

O estudo indicou que a falta de investimentos e formação são citados como as maiores dificuldades para que as mulheres africanas possam empreender.

A pesquisa, consultada por Mercados Africanos, analisou mais de 420 mulheres em 10 países de África, incluindo Moçambique.

Entre as inovadoras, oito criaram aplicativos para telemóvel, sozinhas ou em parceria e 17 conseguiram obter patentes para as respetivas invenções.

A empresária Jessica Manhiça é fundadora da iniciativa Ideário, que oferece formação digital para mulheres moçambicanas.

Jessica destacou que muitas mulheres não possuem acesso a computadores e telemóveis, disparidade confirmada por números divulgados pela ICT Research Africa. Os dados revelam que apenas 6,8% das mulheres usam internet no país.

Em entrevista à ONU News, de Maputo, a empresária moçambicana ressaltou que o seu centro de inovação procura diminuir essas lacunas e facilitar a inserção de mulheres no mercado de tecnologia.

“Sofri na primeira pessoa algumas das dificuldades – algumas não, muitas – que existem para mulheres no setor de tecnologia e no ambiente profissional também. Faz muito sentido trabalhar com meninas que tenham aspirações profissionais também nessa área”

Outra dificuldade considerada por Jéssica são os poucos investimentos específicos para que mulheres tenham espaço no setor tecnológico.

“Uma das limitações que eu vivi diretamente foi a falta de recurso financeiros e recursos didáticos, com foco na mulher quando se trata de digitalização e formação profissional. É preciso ter um foco especial na rapariga”

O testemunho desta empresária é confirmado pelo estudo da UNWSCO, que revela que 70% das mulheres entrevistadas citaram o mesmo obstáculo.

Quando questionadas sobre o apoio que elas mais gostariam de obter do governo ou dos seus parceiros potenciais, o financeiro ficou atrás do da formação.

Das 125 mulheres que especificaram que o seu financiamento inicial não vinha de investidores, metade tinha obtido um empréstimo bancário e um terço tinha utilizado fundos próprios, de familiares ou de amigo

A publicação da UNESCO destaca que 90% das mulheres que são donas de empresas nos países estudados foram encorajadas por outras histórias de sucesso e pelas oportunidades existentes no continente.

Interessante de notar que as entrevistadas consideraram os avanços em igualdade e na inclusão essenciais para a próxima geração de empresárias. Citando uma entrevistada, ao ser questionada por que ela tinha começado o seu próprio negócio, sua resposta foi “para a minha filha”.

Imagem: © 2017 George Rudy
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