Hidrogénio, o futuro da energia em África.

Com a tecnologia do hidrogénio em rápida evolução e os custos das células de combustível, cada vez mais baixos, o hidrogénio verde está-se a tornar uma alternativa ao combustível convencional, muito atraente para África.

 

Hidrogénio verde

O hidrogénio verde será uma das maiores oportunidades económicas no futuro próximo. Impulsionado por ações internacionais de combate às mudanças climáticas, tem o potencial de revolucionar inúmeras cadeias de valor no setor da energia e nos setores da mobilidade e da indústria.

Para a Europa, a falta de capacidade de produção de energias renováveis será um obstáculo para a economia e, portanto, a busca por locais viáveis ​​​​para a sua produção, é fundamental. Os projetos-piloto começaram no Chile e no Médio Oriente, mas as maiores oportunidades estão em África.

Apoiada pelos extensos recursos de energia renovável em África, a Agência Internacional para as Energias Renováveis (IRENA), estima que a capacidade de produção de energia pode chegar a 310 GW até 2030.

A esperança é que, os desenvolvimentos de projetos de hidrogénio verde, não atendam apenas à procura de energia no continente, aumentando a segurança para a independência energética doméstica, mas também que forneça uma alternativa de combustível ambientalmente sustentável para o exterior, nos próximos anos.

 

O “Hydrogen Valley” da África do Sul

Na África do Sul, o governo está a tentar combinar as sinergias entre as minas de platina, a energia renovável e a produção de hidrogénio para formar um centro (hub) de geração de hidrogénio.

A platina, é um componente chave na eletrólise da Membrana Eletrolítica de Polímero (PEM) usada nas células de combustível e também fundamental para produzir hidrogénio em escala industrial.

O pretendido é que à semelhança do que fez o “Silicon Valley” nos estados unidos, para impulsionar a tecnologia informática, o “Hydrogen Valley”, sirva como um “cluster” industrial, na África do Sul, reunindo várias aplicações de hidrogénio no país para formar um ecossistema integrado de hidrogénio, impulsionando a investigação e a produção do hidrogénio verde.

A iniciativa faz parte do trabalho que está a ser feito para apoiar a implementação do “National Hydrogen Society Roadmap” (Rota da Sociedade Nacional de Hidrogénio), recentemente aprovado pelo Conselho de Ministros da África do Sul, bem como a fase 3 do Plano de Reconstrução e Recuperação Económica do país.

Durante o lançamento do projecto, o diretor-geral do Departamento de Ciência e Inovações da África do Sul, Dr. Phil Mjwara, disse que:

“O estabelecimento do “Hydrogen Valley”, é uma importante iniciativa nacional. A implementação da fase 3 do Plano de Reconstrução e Recuperação Económica é impulsionada pelos elementos centrais de reconstruir e transformar”.

“Isso implica construir uma economia sustentável, resiliente e inclusiva”, concluiu.

O “Hydrogen Valley” sul-africano é, portanto, visto como uma oportunidade com grande potencial para desbloquear o crescimento, revitalizar o setor industrial e posicionar a África do Sul como um exportador de hidrogénio verde económico para o mundo.

O plano para a localização do “Hydrogen Valley”, começará perto de Mokopane em Limpopo, onde os metais do grupo da platina (PGMs) são extraídos, estendendo-se pelo corredor industrial e comercial até Joanesburgo e terminará em Durban.

O “Hydrogen Valley” será usado para estabelecer, acelerar e incorporar inovações de nicho por meio de upscaling e replicação. As tecnologias do hidrogénio e células de combustível oferecem uma fonte alternativa de eletricidade limpa, já que o hidrogénio permite que o “combustível” seja armazenada e entregue em forma utilizável, tal como é hoje a gasolina.

O estudo de viabilidade, realizado pela empresa Engie, identifica nove projetos relacionados ao hidrogénio nos setores de mobilidade, indústria e construção que podem ser usados ​​como trampolim para o estabelecimento do “Hydrogen Valley”.

Um projeto que se concentrará na conversão de camiões movidos a diesel para serviços pesados, ​​em camiões movidos a célula de combustível, o que apoiará o aumento do consumo de hidrogénio no setor de transporte.

Os projetos também facilitarão a comercialização de propriedade intelectual com financiamento público, ao mesmo tempo em que contribuirão para o desenvolvimento de PGMs (Metais do Grupo da Platina) em áreas geográficas específicas.

O uso do hidrogénio como transportador de energia poderia reduzir potencialmente a dependência da África do Sul dos combustíveis fósseis que causam o aquecimento global, reduzindo a dependência do país de petróleo importado, beneficiando também o resto do continente.

 

O centro de hidrogénio da Namíbia

Na Namíbia, também está em formação, um projeto ambicioso para produzir 300.000 toneladas de hidrogénio verde por ano. O governo namibiano, nomeou a Hyphen Hydrogen Energy para desenvolver o primeiro projeto de hidrogénio verde de grande escala e verticalmente integrado no parque nacional Tsau ǁKhaeb.

O projeto, avaliado em 9,4 bilhões de dólares, produzirá hidrogénio verde puro ou em forma derivada, como amónia verde. Segundo o CEO da Hyphen, Marco Raffinetti:

“A primeira fase, que deve entrar em produção em 2026, verá a criação de 2 GW de capacidade de geração de eletricidade renovável para produzir hidrogénio verde para conversão em amónia verde, com um custo estimado de 4,4 bilhões de dólares”.

“Mais fases de expansão no final da década de 2020 permitirão expandir a capacidade combinada de geração renovável para 5 GW e 3 GW de capacidade de eletrolisador, aumentando o investimento total combinado para 9,4 bilhões”.

Uma vez totalmente desenvolvido, o projeto dará um grande impulso à Namíbia em termos de investimento estrangeiro direto e criação de empregos. O investimento de 9,4 bilhões de dólares equivale à mesma ordem de magnitude do PIB atual do país e verá 15.000 empregos diretos criados durante os quatro anos de construção de ambas as fases.

Prevê-se que mais 3.000 empregos serão criados em termo de permanência durante a fase operacional. Espera-se que mais de 90% de todos esses empregos criados sejam preenchidos por namibianos. Além dos impostos, a Hyphen pagará taxas de concessão, royalties, uma contribuição ao fundo soberano e uma taxa ambiental ao governo.

O CEO da Hyphen, Marco Raffinetti, afirmou:

“O parque nacional de Tsau ǁKhaeb está entre os cinco principais locais do mundo para produção de hidrogénio de baixo custo, beneficiando-se de uma combinação de recursos eólicos e solares terrestres próximos ao mar e rotas de exportação terrestre para o mercado”.

 

Conclusão

Os recursos naturais de classe mundial da Namíbia, combinados com um governo progressista, pró-investimento e visionário sob a liderança do presidente Hage Geingob, permitiram que o país se movesse com incrível velocidade para se posicionar como a vanguarda das ambições de África para entrar no hidrogénio verde.

Por outro lado, a África do Sul, com o projecto da implementação do “Hydrogen Valley” coloca-se na vanguarda da produção e da inovação em relação ao hidrogénio verde.

Esta profunda experiência técnica coletiva em toda a cadeia de valor do hidrogénio verde, destes dois países africanos, combinada com a solidez financeira e experiência no desenvolvimento, captação de recursos e implementação de projetos de infraestruturas, será crucial para, com sucesso, criar um projeto dessa magnitude e complexidade.

 

O que achas de o hidrogénio verde ser o futuro da energia? Concordas que este posicionamento da África do Sul e da Namíbia, vão colocar a África Austral na vanguarda da energia verde? Queremos saber a tua opinião, não hesites em comentar e se gostaste do artigo partilha e dá um “like/gosto”.

 

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Imagem: © 2017 Shutterstock

  • Ex-atleta olímpico, tem um Doutoramento em Antropologia da Arte e dois Mestrados um em Treino de Alto Rendimento e outro em Belas Artes. Escritor prolifero, já publicou vários livros de Poesia e de Ficção, além de vários ensaios e artigos científicos. neste momento exerce as funções de Chefe de Redação da Mercados Africanos.

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