Invasão da Ucrânia ameaça pão em África.

Tal como Mercados Africanos tinha analisado, a forma como o Ocidente lidar com a invasão russa da Ucrânia e as suas consequências, repercutirá nas economias e nos sistemas políticos de África, seja a nível diplomático e político.

Uma dessas repercussões será a “alegria” dos exportadores de energia e minerais que seguramente vão poder lucrar com o “boom” de preços do petróleo que já se fez sentir deste esta quinta-feira, 24 de Fevereiro de 2022.

Mas por outro lado, se os preços mundiais de metais preciosos como alumínio e petróleo explodiram nas últimas 24 horas, a possibilidade da redução e acesso ao trigo e ao milho nos mercados globais, preocupam enormemente os governos e as populações da África do Norte.

Os dois beligerantes, Rússia (1º produtor mundial) e Ucrânia (4º produtor mundial) sozinhos representam mais de 29% das exportações de trigo em todo o mundo (respetivamente 17% e 12% cada) e representam 32% do comércio mundial.

 

Porque é que invasão da Ucrânia ameaça o pão em África?

A Rússia e Ucrânia, os dois maiores produtores de trigo a nível mundial, estão em guerra desde esta quinta-feira. Um conflito que pode ameaçar o abastecimento de alguns países africanos e até mesmo a estabilidade de algumas nações do continente.

Na altura em que a Rússia lançou o ataque à Ucrânia, as autoridades sudanesas desembarcavam em Moscovo para iniciar novos acordos comerciais.

A chegada do número dois sudanês ao país que é o maior exportador mundial de trigo explica-se pelo facto de Cartum querer evitar o cenário de 2019, que viu o ex-presidente Omar el-Bashir perder o poder por preço do pão, ter triplicado, empurrando as pessoas para as ruas para exigir a sua saída.

Mas não é apenas o Sudão que está preocupado com esta guerra entre a Rússia e a Ucrânia.

Também o Norte de África, sobretudo Marrocos, Argélia, Tunísia e acima de tudo, o Egipto, estão em alerta máximo e a acompanhar de perto a situação de guerra na Europa.

Maior importador de trigo do mundo e segundo maior cliente da Rússia, o Egito que comprou 3,5 milhões de toneladas de trigo até meados de Janeiro, anunciou nesta semana que tem nove meses de reservas.

Marrocos, por sua vez, parece ter assumido a liderança, com o reino a aumentar os subsídios à farinha e a suspender os preços do trigo.

Uma decisão preventiva que abrandou a tensão nascente entre as populações que começavam a ser dominadas pela preocupação após os anúncios de aumento do preço do pão.

O Departamento de Economia e Finanças marroquino especificou que:

“No contexto do aumento contínuo dos preços nos mercados mundiais, e como já foi dito, várias medidas foram tomadas para limitar os efeitos desses aumentos nos preços de certos produtos de consumo e seus derivados no mercado interno”.

E acrescentou que esta medida faz parte do interesse do governo em proteger o poder de compra dos cidadãos marroquinos.

Entre os países que podem ser impactados pela guerra entre a Rússia e Ucrânia, está a Tunísia, cujas autoridades afirmam ter reservas de trigo até Junho próximo.

Segundo consumidor de trigo do continente e quinto maior importador de cereais, a Argélia, por sua vez, anuncia ter seis meses de reservas. É o suficiente?

 

Conclusão

A menos que a guerra pare nos próximos dias, as reservas de trigo em África, claramente não serão suficientes para o consumo interno e, mesmo que ela parasse já hoje, o risco da falta de trigo é iminente.

Isso fica bem claro com o alerta do Instituto do Oriente Médio sobre a situação da falta do fornecimento de trigo:

“Se a guerra interromper o fornecimento de trigo […] a crise poderá desencadear novos protestos e instabilidade em vários países no mundo árabe”.

 

O que achas desta situação? África terá capacidade para aguentar um conflito prolongado entre a Rússia e a Ucrânia? Queremos saber a tua opinião, não hesites em comentar e se gostaste do artigo partilha e dá um “like/gosto”.

Imagem: © 2022 Autoevolution/Francisco Lopes-Santos

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