A Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (CNUCED) apresentou este fim de semana o relatório sobre o investimento externo, no qual se constata que apesar de queda de 18%, a redução dos investimentos em África foi mais suave que no resto do mundo.

Olhando para os muitos números divulgados no principal relatório desta entidade que analisa o comércio internacional, há boas notícias para o continente africano, dentro do contexto de pandemia que afeta tudo e todos.

Assim, os investidores reduziram as suas apostas em África em 18%, o que seria dramático num ano normal, mas que compara bem com a queda de 42% registada a nível mundial, e não desmoraliza quando se olha para a queda dos investimentos na América Latina, que se reduziram em 37%.

Um aspeto interessante deste relatório é que pela primeira vez o montante de investimento estrangeiro na China foi superior ao feito nos Estados Unidos, que há muitos anos ocupam o lugar cimeiro do interesse dos investidores estrangeiros. Claramente, um sinal dos novos tempos…

No relatório sobre o comércio internacional, os especialistas em comércio internacional da ONU dizem que “o investimento direto estrangeiro global colapsou no ano passado, caindo 42%, ou seja, de 1,5 biliões de dólares em 2019 para 859 mil milhões de dólares em 2020”.

É preciso recuar aos anos 90 para encontrar um valor tão baixo, excetuando os anos da crise financeira mundial, nas vésperas de 2010.

Para este ano, a CNUCED prevê uma recuperação, mas apenas de 5 a 10%, devido às incertezas sobre a evolução da pandemia a nível mundial e às eventuais novas medidas de confinamento para combater a propagação do vírus.

Nos países desenvolvidos, o panorama foi ainda mais grave, com a pandemia de covid-19 a motivar uma quebra de 69%, para 229 mil milhões, e os investimentos externos no Reino Unido, afetado pela pandemia e pelas incertezas da saída da União Europeia (Brexit), caíram para zero, segundo a CNUCED.

Onde as notícias são piores para África é no anúncio de projetos ‘greenfield’, ou seja, quando uma empresa investe noutro país pela primeira vez, que a organização diz ter uma relação direta com o montante real de investimentos no futuro.

“Apesar de os fluxos gerais de Investimento Direto Externo nas economias em desenvolvimento parecerem ser relativamente resilientes, os anúncios sobre projetos ‘greenfield’ caíram 46%, com África a registar uma queda de 63% e 51% na América Latina”.

Estes investimentos, explica a CNUCED, são cruciais para a capacidade produtiva e o desenvolvimento de infraestruturas e, assim, para as perspetivas de uma recuperação sustentável”.

Para este ano, no geral, o panorama ainda é sombrio: “Os riscos relacionados com a última vaga da pandemia, o ritmo de distribuição dos programas de vacinas e dos apoios estatais à economia, as situações macroeconómicas frágeis na maioria dos mercados emergentes e a incerteza sobre o ambiente político global para o investimento vão continuar a afetar o Investimento Direto Externo em 2021”, conclui a CNUCED.

pub

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite o seu comentário!
Por favor, digite o seu nome aqui


Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.