Entrevista Exclusiva a Mercados Africados de, Joseph Ribeiro, Diretor Geral Adjunto do BAD para a África Ocidental – Quarta e Última Parte.

Esta é a quarta e última parte da entrevista exclusiva que nos concedeu Joseph Ribeiro, Diretor Geral Adjunto do Banco Africano de Desenvolvimento para a África Ocidental.

A parte final da entrevista foi sobre os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) que de cinco (5) passaram a seis (6) com a admissão da Guiné-Equatorial, uma antiga colónia espanhola, situada no Golfo da Guiné e rica em petróleo e gás.

A conversa começou por recordar que durante as últimas reuniões anuais do BAD, o presidente Akinwumi Adesina tinha-se referido aos PALOP afirmando que “orgulhamo-nos de dar oportunidades iguais a todos, mas há constituências importantes, como os PALOP, que têm de ser incluídas, e quero garantir que os lusófonos sintam que estão a ter o tratamento que merecem”.

Sobre este tema Joseph Ribeiro disse que “o BAD tem uma atenção especial para com os PALOP – desde a presidência de Adesina – por vários motivos”.

Entre eles, realçou o seguinte “são economias importantes e contamos com Angola e Moçambique com peso económico e populacional e acrescentou “contamos também com a Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e a Guiné Equatorial, que têm um posicionamento estratégico em África”

Joseph Ribeiro enfatizou que apesar de não haver continuidade territorial entre eles “estamos ligados pelo mar, pela emigração e a história”

Insistiu sobre a ligação ao mar, a chamada economia azul “que serve de laços a todos nós”.

Um outro tema específico aos PALOP é o chamado Compacto Lusófono, uma novidade do BAD que tem a ver com um programa de investimentos criado pelo BAD e por Portugal no intuito de acelerar os investimentos privados nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP).

O grande objetivo deste programa de investimentos é “aumentar o volume e reduzir o risco de investimento”, apontou Adesina durante as reuniões anuais do BAD.

Sobre este tema Joseph Ribeiro enfatizou que ”O compacto Lusófono foi assinado desde novembro 2018 e pretende acelerar o investimento privado nos PALOP, porque estes merecem mais atenção do setor privado internacional e neste sentido conseguimos uma garantia de 400 milhões de euros do Governo Português”.

Joseph Ribeiro acrescentou que o projeto está quase operacional, e que acredita que dentro de  alguns meses, esteja firmado em conformidade com cumprimento de todas as regras aplicáveis do Governo de Portugal e do BAD.

Para já, estão a ser criados dois fundos, para São Tomé e Príncipe e Cabo Verde, há muito interesse também na Guiné-Bissau e em relação a Angola e a Moçambique o BAD espera terminar a negociação com Portugal para depois avançar para esses dois países.

Joseph Ribeiro também apontou que embora apelidado de Compacto Lusófono, “não está limitado a Portugal e entidades de outros países tais como a AID dos Estados Unidos da América, assim como a Sociedade de Financiamento Internacional e o Banco Mundial, já demonstraram interesse, o que aliás foi muito bem recebido por Portugal”.

Falando sobre a recuperação económica, indicou que o crescimento vai situar-se entre 2 a 3% e que a recuperação “vai ser muito tributária do espaço fiscal que os países terão para relançar a as suas economias”.

E sublinhou que “se uma parte dos rendimentos for usada para o serviço da divida isto não vai ser possível”

Nesse sentido o BAD está a “combater em duas frentes” ver como assessorar na questão da dívida e assegurar-se que a recuperação económica se traduza na melhoria da qualidade de vida das pessoas, na melhoria da competitividade económica dos países africanos, e em um crescimento sustentável e inclusivo”.

A pouca informação que circula sobre o trabalho do BAD nos PALOP e destes nas notícias e comunicados de imprensa da BAD, foi também abordado e Joseph Ribeiro mencionou que nas reuniões do BAD, o Português, embora não sendo língua oficial do BAD, é usado como língua de trabalho.

Veja Aqui a Primeira Parte Desta Grande Entrevista

Veja Aqui a Segunda Parte Desta Grande Entrevista

Veja Aqui a Terceira Parte Desta Grande Entrevista

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