O antigo presidente de Moçambique, Joaquim Chissano, compõe o painel de três dirigentes africanos enviados especiais da União Africana (UA) para mediar as negociações para o fim do conflito na região de Tigray, na Etiópia.

Para além de Joaquim Chissano, o grupo é composto por Ellen Johnson-Sirleaf, antiga estadista da Libéria, e Kgalema Motlanthe, antigo presidente-interino da África do Sul.

A nomeação foi anunciada pelo Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, que ocupa atualmente a presidência rotativa da União Africana, para quem o desejo da organização continental é que “acabar com o conflito através do diálogo entre todas as partes”.

Segundo o Presidente sul-africano, os três enviados especiais viajarão para a Etiópia com o intuito de criar condições para um diálogo “aberto para resolver as questões” que originaram este conflito.

O Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, emitiu uma declaração para saudar a iniciativa de Ramaphosa e as nomeações.

Guterres manifestou igualmente o seu apreço ao primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, “por facilitar esta iniciativa de paz”. Mas, quase de imediato, Addis-Abeba negou ter aceitado qualquer mediação.

No domingo (22/11), num comunicado dirigido à liderança da Frente de Libertação do Povo de Tigray (TPLF), Ahmed deu um ultimato de 72 horas, que terminam hoje, aos militares da região separatista para se renderem. “O caminho para a vossa destruição está a chegar ao fim”, escreveu o primeiro–ministro etíope na sua conta no Twitter.

Segundo a imprensa internacional, em resposta, o presidente de Tigray (Norte) disse segunda-feira que o seu povo estava “pronto a morrer”.

Quase três semanas após o início da operação militar para recuperar a autoridade sobre a região rebelde, Addis Abeba planeia, em breve, “cercar” Mekele, capital de Tigray e sede do governo local, da Frente de Libertação do Povo de Tigray (TPLF).

A guerra já matou centenas de pessoas, possivelmente milhares, e criou mais de 30.000 refugiados que se encontram no vizinho Sudão.

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