Jorge Sampaio: Faleceu antigo Presidente Português, para quem “a Europa era tributária de África”

Morreu esta sexta-feira, 10 de Setembro, o antigo chefe de Estado português Jorge Sampaio. Foi Presidente da República durante dois mandatos, entre 1996 e 2006.

Jorge Sampaio, 81 anos, estava internado no Hospital de Santa Cruz desde 27 de Agosto, depois de ter sentido dificuldades respiratórias.

O antigo Presidente Português esteve muito ligado às problemáticas africanas de desenvolvimento sustentável e foi distinguido, em 2015, com o Prémio da ONU, Nelson Mandela, criado em 2014 recompensar a ética e a dimensão política e humanista nas relações do mundo de hoje.

A recompensa distingue personalidades que consagraram a sua vida à luta pela democracia e à melhoria das relações no mundo através de uma postura ética e humanista.

Na altura, o antigo Presidente da República Portuguesa, lembrou-nos a importância da figura excecional  de Nelson Mandela e do significado do prémio.

Anteriormente em maio de 2007, Jorge Sampaio, insistiu sobre a importância do estabelecimento de uma “verdadeira parceria de desenvolvimento para África” ao intervir na conferência internacional promovida pelo Grupo Africano de Embaixadores em Lisboa.

Durante esse evento defendeu que “uma irreversível deriva do continente africano arrastará a estabilidade do mundo inteiro” e sublinhou que “A responsabilidade é partilhada, como é indivisível a paz, os direitos humanos e a própria sustentabilidade do desenvolvimento”, disse.

A concretização de uma “verdadeira parceira com África” só resultará da união de esforços assentes em quatro pontos fundamentais: crescimento económico, igualdade de oportunidades e justiça social, proteção do ambiente e preservação das identidades e da diversidade cultural”, enfatizou o antigo Presidente.

No entanto a responsabilidade das elites e liderança africanas nas mudanças do continente foi sempre implícita e evidenciada por Jorge Sampaio.

Em junho de 2011, quando era Enviado Especial do Secretario Geral da ONU na luta contra tuberculose apelou para a necessidade de criação de “laços de credibilidade” entre África e os organismos financiadores do combate às doenças endémicas.

Em entrevista à Rádio ONU, em Nova Iorque, e tendo como pano de fundo o combate à tuberculose, o ex-presidente português realçou o papel das lideranças na interação com os doadores numa altura de crise.

“Arranjem os consultores capazes e necessários para fazer candidaturas ao Fundo Global, como deve ser.  Ponham em cima da mesa programas que venham de baixo para cima – das comunidades aos laboratórios, ao diagnóstico e ao tratamento. E, obviamente mostrem aos doadores que a aplicação dos dinheiros é corretamente feita e que há resultados, melhorias, e abaixamento dos índices de infeção”, pediu ele.

Jorge Fernando Branco de Sampaio nasceu em Lisboa em 1939, foi Presidente da República durante dois mandatos, entre 1996 e 2006. Em 1989, foi eleito líder do Partido Socialista e na mesma altura foi eleito presidente da Câmara de Lisboa, tendo sido reeleito em 1993.

Depois da passagem pela Presidência da República, Jorge Sampaio foi nomeado em 2006 pelo secretário-geral da Organização das Nações Unidas enviado especial para a Luta contra a Tuberculose e entre 2007 e 2013 foi alto representante da ONU para a Aliança das Civilizações.

Recentemente, presidia à Plataforma Global para os Estudantes Sírios, que escapam da guerra e estudam em Portugal.

Foi sob a sua presidência que Portugal, obteve o que é considerado o maior êxito da diplomacia portuguesa: a independência de Timor-Leste

Terminamos realçando o pensamento de antigo Presidente Português e que no nosso entender reflete a essência das relações Africa/Europa.

Para Jorge Sampaio, “a Europa é tributária do continente africano (…) sem o que a dimensão universalista e cosmopolita que está no cerne da civilização e da cultura europeia não teriam podido consolidar-se”.

Mercados Africanos associa-se a todos os que enviaram as condolências.

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