Isso seria daqui a 4 anos, já que se pensa que Biden, aos 77 anos, não deveria procurar um segundo mandato e que ela se tornaria o nome mais cotado para a nomeação do Partido Democrata para as eleições presidenciais de 2024.

Mas falemos do presente.

Assim que soube que tinha ganho escreveu no Twitter: “esta eleição é sobre muito mais do que Joe Biden e eu. É sobre a alma da América e nossa boa vontade em lutar por ela”.

Harris, filha de imigrantes, é a primeira mulher, a primeira negra e a primeira Indiana-americana a ocupar o cargo de vice-presidente dos Estados Unidos da América.

Antes também tinha sido a primeira em muitos cargos em que esteve: a primeira procuradora distrital de São Francisco, a primeira procuradora-geral da Califórnia, a primeira indiana-americana (a mãe é da Índia) no Senado dos Estados Unidos e candidata de um grande partido a concorrer a vice-presidente.

Harris tem 56 anos, nasceu a 20 de outubro de 1964 em Oakland, Califórnia, formou-se na prestigiosa Universidade Negra Howard em Washington DC em 1986 e no Hastings College of the Law da Universidade da Califórnia

Oriunda de uma família mista não branca, a mãe, Shyamala Gopalan, é uma bióloga (pesquisadora do cancro da mama) indiana (nascida na Índia) e o pai, Donald J. Harris, é um professor emérito de economia da Universidade de Stanford, negro, de origem jamaicana, ambos ativos nos protestos antirracismo das décadas de 1960 e 70, o que fez com que Harris, crescesse num ambiente de solidariedade inter-racial e ativismo aonde o movimento pelos direitos civis sempre esteve presente.

Sobre as suas origens raciais Harris disse durante uma entrevista ao Washington Post: “Eu sou quem eu sou… e dou-me muito bem com isso, “ para além de se considerar uma “americana orgulhosa”.

Tal como no caso de Barack Obama, Trump amplificou os rumores daqueles que começaram a circular as teorias de que ela era “constitucionalmente inelegível” porque os seus pais, que se conheceram na Universidade de Berkeley, eram imigrantes.

Lutadora, desde muita jovem aos 13 anos, mobilizou as crianças do bairro para protestar contra as regras que as impediam de brincar na relva em frente ao prédio. O protesto foi um sucesso.

Começou por trabalhar no Gabinete do Procurador Distrital de Alameda County, antes de ser recrutada para o Gabinete do Procurador Distrital de São Francisco e mais tarde para o Gabinete do Procurador da Cidade de São Francisco.

Mais tarde, foi sucessivamente eleita procuradora distrital de San Francisco e procuradora-geral da Califórnia em 2010 e reeleita em 2014.

Dois anos depois, em 2016, venceu a eleição para o Senado para se tornar a segunda mulher negra e a primeira indiana-americana a servir no Senado dos Estados Unidos.

Quando Biden, de 77 anos, anunciou que teria uma mulher como parceira na lista, e apesar de alguns nomes terem circulado, Harris, que também é uma grande oradora em público, contrariamente a Biden, passou a ser vista como a escolha natural para o Partido Democrata, principalmente por causa da importância que as questões raciais ganharam nas eleições deste ano sobretudo após os assassinatos de afro-americanos, em particular o de George Floyd, por um polícia branco e os subsequentes protestos que ocorreram.

O partido democrático aprendeu a lição de 2016 e apostou em Harris para atrair o voto de negros, latinos, mulheres e jovens, já que se considerou que a ausência desse eleitorado, que tradicionalmente é favorável aos democratas, foi decisivo na derrota de Hillary Clinton.

Uma outra razão foi o facto de ela ser considerada como pertencente á ala “progressista” do Partido Democrático ao passo que Biden é visto como pertencente á “moderada”, uma forma de unir o Partido face ao desafio eleitoral.

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