Liderança africana tem que trabalhar de forma concertada.

O etíope Abebe Aemro Selassie, Diretor do Departamento da África, do FMI, estimou que o Fundo Monetário Internacional prevê o crescimento da África Subsaariana deve ficar em 3,7% em 2021, e 3,8%, em 2022, “uma recuperação bem-vinda, mas relativamente modesta”, aponta a instituição em suas projeções publicadas nesta quinta-feira, 21 outubro 2021.

Segundo ele, a recuperação é apoiada por condições externas favoráveis no comércio e nos preços das matérias-primas. Também beneficiou da melhoria das colheitas e do aumento da produção agrícola em vários países.

A recuperação ainda assim, é a mais lenta em relação a outras regiões e reflete dois fatores sobre a África Subsariana: a lenta distribuição das vacinas e as grandes diferenças no espaço para a formulação de políticas.

Nesse contexto, Abebe Selassie destacou três áreas que exigem uma ação concertada por parte dos decisores políticos nos países africanos e, de facto, da comunidade internacional:

Em primeiro lugar, as políticas devem estar altamente concentradas em vencer o desafio da desigualdade. Do contrário, será uma nova fonte de sofrimento para as pessoas e agravamento da insegurança alimentar.

A pandemia lançou cerca de 30 milhões de pessoas de volta à pobreza extrema e agravou a desigualdade, não apenas entre os grupos de rendimento, mas também entre e dentro das regiões geográficas subnacionais.

Além disso, o aumento expressivo dos preços dos alimentos (e combustíveis) que vemos agora deverá exacerbar essas condições. A queda dos rendimentos e a subida dos preços dos produtos alimentares são uma receita para acelerar a erosão dos ganhos passados em termos de redução da pobreza, melhores condições de saúde e maior segurança alimentar.

Em segundo lugar, os decisores políticos da África Subsariana terão de buscar o equilíbrio entre três fontes de considerável pressão:

a necessidade premente de elevar os gastos para abordar a multiplicidade de carências sociais, humanas e de infraestruturas; a capacidade limitada de endividamento face aos já elevados níveis de dívida pública na maioria dos casos e a lentidão e a natureza politicamente delicada do processo de mobilizar mais receitas fiscais.

O êxito das autoridades em solucionar este trilema terá enormes consequências para o bem‑estar macroeconómico dos países e suas perspetivas de crescimento.

Em terceiro lugar, a divergência dos resultados em termos de saúde, pobreza e desempenho económico que estamos a ver mostra a importância fundamental da solidariedade e apoio internacionais.

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