Mãe de 5 deixa ONG e cria empresa agrícola

Artigo Atualizado

Hajarah Nagawa, assumiu o risco de criar a sua própria empresa, abandonando uma grande ONG, Hajarah Nagawa – onde ganhava 1,4 milhões de xelins ugandeses, cerca de 400 dólares/mensais – ao pedir a demissão durante a pandemia.

Esta mãe de 31 anos queria passar mais tempo com os seus 5 filhos, algo que o trabalho não lhe permitia.

Foi uma escolha da qual não se arrepende, já que as suas várias atividades, da empresa que criou, lhe rendem, após um ano, milhões de xelins ugandeses.

 

O projecto

Em Gayaza, uma cidade do Uganda, Hajarah Nagawa iniciou a sua empresa, um negócio especializado em agricultura urbana e avicultura. O terreno, que alberga a sua casa, também se destina a servir de centro de formação. Ela possui cerca de 500 frangos e colhe 1000 kg de milho, vendido nos mercados locais.

Muito apegada aos princípios da economia circular e da reciclagem, também transforma os excrementos de frango em fertilizante. Depois de colher o milho, ela usa os resíduos como combustível e repelente de mosquitos e insetos nos celeiros. Os colmos de milho colhidos também são utilizados como ração para os frangos, reduzindo os custos operacionais.

“Estava sempre no trabalho e mal tinha tempo para cuidar dos meus filhos. Já estava farto da distância e queria estar mais perto deles […] No início foi difícil, tive que cortar custos e focar-me apenas nas prioridades para fazer face às despesas”.

Disse ela, em uma entrevista ao jornal local The Citizen, num artigo publicado a 21 de Julho de 2021.

 

Aprendizagem

Para melhorar as suas competências de gestão empresarial, permitindo-lhe abrir a sua própria empresa, formou-se na MTN, após ser selecionada num concurso destinado à formação de jovens empresários e criadores de empregos.

Como parte do programa, aprendeu tudo sobre a manutenção de registos e gestão financeira, tributação, inovação e digitalização, entre outros conhecimentos, o que têm sido essenciais na sua jornada rumo ao empreendedorismo.

Graças à formação, foi capaz de iniciar o seu negócio com o mínimo de capital e recursos. Hajarah Nagawa ganha mais de 5 milhões de xelins ugandeses a cada 5 meses com as aves. Ela normalmente colhe 1.000 kg de milho e ganha cerca de 600.000 xelins com 500 kg de milho processado. O estrume de galinha que ela coleta é vendido a 7.000 xelins por saco de 100 kg.

 

A comunidade

Na cidade de Gayaza, a comunidade local encontra-se em situação de desemprego ou pobreza após terem vendido as suas terras às imobiliárias.

De acordo com Hajarah Nagawa, essa situação obriga vários jovens a recorrer à pedreira, ou atividades marginais para sobreviverem.

Ao ingressar na agricultura urbana, ela gostaria agora, de treinar jovens e mulheres no uso de pequenos terrenos destinados ao comércio.

“Eu estou a planear montar uma estufa, um viveiro de peixes, um quintal, criar mais galinhas e criar um mercado online aberto onde as pessoas podem pedir e reservar produtos para entregar para aqueles que não se podem mover”, explica ela.

 

Conclusão

Este é mais um projeto que pode ajudar a criar empregos, especialmente nesta cidade arruinada pela especulação, no entanto, a falta de capital e de financiamentos impede Hajarah Nagawa de transformar as suas instalações agrícolas num centro de formação, para isso precisa de obter um financiamento de cerca de 100 milhões de xelins ugandeses para poder atingir os seus objetivos.

Infelizmente, os apoios para este tipo de empreendimento são escassos, apesar de serem exatamente o tipo de projectos necessários para tirar África da miséria.

 

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Imagem: © 2021 Francisco Lopes-Santos
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