Maior parte de África não condena a invasão.

Tal como Mercados Africanos tinha analisado a forma como o Ocidente lidar com a invasão russa e as suas consequências, repercutirá nas economias e nos sistemas políticos de África, seja a nível diplomático e politico, seja com a “alegria” dos exportadores de energia e minerais que seguramente vão poder lucrar com o “boom” de preços do petróleo que já se fez sentir deste esta quinta-feira, 24 de fevereiro 2022.

Mas por outro lado, os preços mundiais de metais preciosos como alumínio e petróleo explodiram nas últimas 24 horas, a possibilidade de redução de trigo, milho nos mercados globais, preocupam enormemente os governos e as populações da África do Norte.

Neste contexto e com a Rússia a fazer valer também as relações privilegiadas que teve com o continente africano nos anos 60/70 e 80 durante o apoio da União Soviética às guerras de libertação colonial e contra o Apartheid a maior parte dos países africanos votaram contra ou não se pronunciaram sobre a invasão da Ucrânia.

Vai ser interessante saber até quando esta posição será assumida considerando a dependência desses países de financiamentos seja da ONU ou da UE e que as pressões serão fortíssimas para que se alinham com as posições e votos ocidentais, da ONU e de outros sistemas multilaterais.

Na votação da ONU apenas 28 dos 54 Estados do continente aprovaram, uma resolução que condena a invasão e exige a retirada imediata das tropas russas, 16 abstiveram-se e 9 não participaram no voto.

Interessante de notar que os países que nas décadas de 70 e 80 eram chamados “países da linha da frente” na luta contra o Apartheid todos se abstiveram aos quais se juntou também o Senegal, o que surpreendeu muitos observadores.

Embora os meios de comunicação globais não se tenham sequer referido a essa “posição” africana, de não condenar oficialmente a guerra, ao contrário do Ocidente, que abriu imediatamente – e ainda bem – as portas a todos os Ucranianos, mas tal como Mercados Africanos noticiou, não o faz com os refugiados das guerras que subsistem no continente africano.

Nestes primeiros 10 dias do conflito a posição de terceiros, como os africanos, não tem sido uma prioridade para o Ocidente.

No entanto com o avançar no terreno, mas sobretudo se a Rússia vencer, a situação mudará rapidamente e a pressão sobre a liderança africana para condenar a invasão russa será cada vez maior.

Interessante de se ver se com o aumentar da pressão a decisão se manterá a mesma, ou seja, abster-se ou não de votar e assim continuar a narrativa do apoio russo às lutas pela independência e contra o Apartheid, ou votar contra a invasão e alinhar-se com a realidade económica e financeira atual, sobretudo quando 50% do funcionamento da Comissão da União Africana é financiado pela UE e a China.

 

O que achas desta situação? Os países africanos mudarão de voto no fim da invasão? Queremos saber a tua opinião, não hesites em comentar e se gostaste do artigo partilha e dá um “like/gosto”.

Imagem: © 2022 Francisco Lopes-Santos

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