Mais um escândalo no topo do Banco Mundial / FMI

A informação caiu como uma bomba.

Tal como Mercados Africanos noticiou neste sábado, 18 setembro 2021, depois de ter suspendido no ano passado o relatório  “Doing Business” , até então, prestigioso e avidamente consultado por investidores, economistas e governos , o Banco Mundial decidiu terminar definitivamente esta publicação por causa das conclusões da investigação das edições 2018 e 2019.

A investigação divulgou os nomes de altos funcionários do Banco Mundial, responsáveis pelos conteúdos e classificação dos países nos relatórios “Doing Business” que sob a pressão de alguns governos que queriam a todo o custo embelezar sua situação, manipularam os resultados para satisfazer esses mesmos países.

Entre esses altos funcionários, encontra-se a atua Diretora-Geral do FMI, a búlgara Kristalina Georgevia, na altura alta funcionária do Banco Mundial que liderava a equipa do “Doing Business”.

As auditorias de investigação culpam especificamente a China, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Azerbaijão.

Vários ex-executivos seniores do Banco Mundial, incluindo a atual chefe do FMI, Kristalina Georgevia, então diretora executiva do Banco Mundial, estão envolvidos no que agora é considerado um verdadeiro escândalo.

A diretora-geral do FMI foi rápida em negar, mas não convenceu ninguém e a sua liderança à frente do Fundo Monetário Internacional, encontra-se enfraquecida e algumas vozes já pedem a sua renúncia.

Para a direção do Banco mundial foi necessário tomar medidas imediatas porque esses Estados pisaram a linha vermelha e a falta de reação prejudicaria todo o crédito da Instituição.

“A confiança no trabalho de pesquisa do Grupo Banco Mundial é de extrema importância. Este trabalho orienta as ações dos formuladores de políticas, ajuda os países a tomarem decisões mais bem informadas e permite que as partes interessadas avaliem o progresso económico e social com mais precisão”.

Recordamos que“Doing Business” analisava o ambiente de negócios dos países membros da instituição, distribuindo pontos positivos e negativos aos respetivos estados.

Este relatório anual era temido por muitos governos porque servia como uma bússola para os investidores.

A gestão do Banco Mundial justifica a sua decisão devido à manipulação de dados das edições 2018 e 2019 confirmadas por auditorias e inquéritos realizados por organizações e empresas independentes.

Recorde-se que no início de 2018, Paul Romer, economista-chefe, criticou abertamente os métodos estatísticos usados para elaborar o relatório anual “Doing Business”, que agora está no centro das acusações contra Kristalina Georgieva e viu-se forçado a pedir a demissão.

Mas não é a primeira vez que os dirigentes de topo do BM ou FMI se vêem envoltos em escândalos.

Paul Wolfowitz que assumiu a direção do Banco Mundial em 2005, teve que renunciar em junho de 2007 quando a imprensa americana revelou em abril do mesmo ano, que ele tinha pedido pessoalmente grandes aumentos salariais e promoções para a namorada, ela também funcionária do FMI.

A 14 de maio de 2011, o então diretor-geral do FMI e favorito nas eleições presidenciais francesas, Dominique Strauss-Kahn, foi acusado de estupro por uma empregada guineense do hotel Sofitel de Nova Iorque, preso e renunciou ao cargo alguns dias depois.

Strauss-Kahn já havia passado por problemas em 2008, quando foi acusado de favorecer uma funcionária do FMI, Piroska Nagy, por interesses pessoais, mas acabou por ser limpo dessa acusação pelo Conselho de Administração do Fundo, que, no entanto, o repreendeu por um “grave erro de julgamento”.

Christine Lagarde, então Diretora-geral do FMI, foi acusada pelo Tribunal de Justiça Francesa de ter permitido a organização de uma arbitragem fraudulenta em 2008, quando era ministra da Economia da França, visando resolver o litígio entre Bernard Tapie e o Credit Lyonnais pela venda da Adidas em 1993.

No final do julgamento, em 2016, Lagarde foi declarada culpada de “negligência”. No entanto, foi isenta de punição e retomou as suas atividades à frente do FMI que dirigia desde julho de 2011.

Quando Jim Yong Kim, chegou em 2012 à chefia do Banco Mundial, lançou um amplo plano de austeridade dentro da instituição, mas a concessão de bônus a alguns altos funcionários em 2014, em especial ao diretor financeiro, causou um alvoroço interno.

Embora reconduzido ao cargo em 2016, Jim Yong Kim surpreendeu todos em 2019 quando anunciou a sua renúncia dois anos antes do final do mandato, sem dar qualquer explicação, apenas indicando que iria ingressar numa sociedade de investimentos.

pub

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite o seu comentário!
Por favor, digite aqui o seu nome


Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.