Mali não consegue pagar dívida.

Em nota datada e assinada nesta terça-feira, 1 de Fevereiro de 2022, o Ministério da Economia e Finanças do Mali anunciou que o país não conseguiu pagar um montante total de 2,7 mil milhões de FCFA (4,65 milhões de dólares), representando juros que deveriam ter sido pagos a 28 de Janeiro de 2022 aos seus credores, no mercado monetário sub-regional (UEMOA), segundo noticiou a agência Ecofin.

A declaração aos investidores explica esta situação pelas sanções, a que está sujeita pela UEMOA, e pelas suas várias organizações associadas, incluindo o Banco Central dos Estados da África Ocidental (BCEAO).

O Ministério das Finanças do país acusa o BCEAO de aplicar sanções em violação dos seus estatutos e o bloqueio de 300 mil milhões de FCFA.

“Apesar de ter recursos suficientes, o Banco Central da África Ocidental (BCEAO) não procedeu ao pagamento da data de vencimento de 28/01/2022 para o pagamento dos títulos do tesouro similares […], no valor total de 2,69 mil milhões de FCFA”
“[…] O Estado do Mali deplora esta prática contrária às regras do mercado financeiro e monetário sub-regional e as suas consequências nefastas para os investidores”, lê-se no documento.

Esta situação está de acordo com as previsões da Agência Ecofin que já tinha indicado há algumas semanas, um risco de sanções impostas ao Mali sobre o reembolso de quase 300 mil milhões de FCFA de dívidas devidas em 2022 a investidores financeiros na sub-região da UEMOA.

O Ministério das Finanças exime-se da sua responsabilidade acusando o BCEAO de violar o disposto no artigo 4º dos seus estatutos, que o proíbe de seguir quaisquer instruções de “governos” e outras “instituições” no exercício das suas missões.

Recorde-se que após as conclusões das cimeiras extraordinárias da CEDEAO e da UEMOA realizadas a 9 de Janeiro de 2022 em Accra (Gana), na qual o BCEAO decidiu, entre outras coisas, bloquear todas as transferências do Estado do Mali que passam pelos seus sistemas de pagamento.

A um nível puramente económico, esta decisão envolve riscos colaterais para os credores internos e externos do Mali.

Não está claro se o Banco Central estendeu as suas restrições de pagamento aos títulos internacionais do país.

O Mali indica que só poderá continuar a honrar os seus compromissos quando as sanções forem levantadas.

Esta situação coloca o BCEAO numa situação sem precedentes, e os desenvolvimentos recentes, particularmente no Burquina Faso, podem levar a casos semelhantes, se a recente tomada do poder pelos militares conduzir ao mesmo nível de sanções.

Por outro lado, põe à prova o seu grau de independência que, em teoria, é um elemento essencial para o funcionamento ótimo deste tipo de instituições.

 

O que achas desta situação? É justo aplicar sanções devido a golpes de estado? Queremos saber a tua opinião, não hesites em comentar e se gostaste do artigo partilha e dá um “like/gosto”.

 

Ver Também:

Mali: Junta Militar sob um “dilúvio” de sanções

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