Manuscritos de Timbuktu em galeria virtual.

Foi criada uma galeria virtual, com dezenas de milhares de manuscritos antigos de Timbuktu, para mostrar a história cultural do Mali. Estes manuscritos contêm séculos de conhecimento e erudição africana em tópicos que vão desde a matemática a mapas astrológicos.

A galeria virtual, chamada de Mali Magic, além dos manuscritos de Timbuktu, também mostra a cultura maliana e foi elaborada pela Google, juntamente com parceiros locais e internacionais.

Estes manuscritos antigos de Timbuktu, foram originalmente escritos em árabe medieval, mas agora foram traduzidos para inglês, francês, espanhol e árabe moderno para torná-los mais acessíveis.

Durante séculos, Timbuktu foi um centro cultural no continente africano, bem como um centro islâmico de ensino. As mesquitas da cidade desempenharam um papel crítico na disseminação do Islão em toda a África Ocidental nos séculos 15 e 16, de acordo com a Unesco.

Nos últimos sete anos, os líderes tradicionais do Mali, historiadores e arqueólogos digitais trabalharam arduamente para garantir que os manuscritos antigos de Timbuktu, alguns datados do século 11, contendo a rica história do país, fossem preservados, digitalizando-os.

Segundo o Dr. Haidara, o projeto apresenta uma oportunidade para as pessoas aprenderem com aqueles que vieram antes delas.

 

Timbuktu

Timbuktu, a “cidade santa”, a “misteriosa”, a “inacessível”, entre outros nomes, fascinou grandes exploradores ao longo dos tempos, desde o escocês Mongo Park ao francês René Caillié e ao alemão Heinrich Barth.

É uma cidade fabulosa de areia, situada no Nordeste do atual Mali, nos confins do Sul do imenso deserto do Saara e um pouco afastada da margem esquerda do rio Níger.

Fundada por volta do século XI pelos tuaregues, a cidade impôs-se, a partir do século XIV, como um centro de comércio importante entre o antigo Sudão e o Magreb.

O sal de Taudenni (Mali), o ouro das minas de Buré (Etiópia) e os escravos do Gana, transitavam por lá. Mercadores árabes e persas conviviam com viajantes e filósofos muçulmanos, levados pelo desejo ardente de arregimentar para a fé de Alá as populações locais.

Foi a época em que a África saheliana se dividiu entre os impérios que se converteram ao Islã e os outros. Se o dos mossis (atual Burkina Fasso) resistiu em entregar-se à religião de Maomé, o império songai, sucessor do império do Mali no final do século XIV, aderiu a ela. Assim, a expansão dos manuscritos confunde-se com a islamização.

As três grandes cidades da região (Timbuktu, Gao e Djanné) tornaram-se os polos de uma efervescente civilização islano-sudanesa cuja memória permaneceu viva. No século XV, a cidade de Timbuktu contava com não menos de 100 mil habitantes, entre os quais, 25 mil estudantes que frequentavam a universidade de Sankoré, atualmente transformada em mesquita.

As conferências dos ulemás, sábios muçulmanos, eram transcritas por copistas sobre casca de árvores, omoplatas de camelos, peles de carneiro, ou papel proveniente do Oriente e depois da Itália. Dessa forma, ao longo dos séculos, foi se constituindo um precioso corpus filosófico, jurídico e religioso.

 

O início do projecto.

A digitalização destes manuscritos começou com uma ligação ao Google efectuada pelo Dr. Haidara em 2014. Ele convidou a empresa a visitar o Mali para verem os renomados manuscritos de Timbuktu e perceberem o por que estavam em risco.

Ao chegarem, encontraram textos que incluíam o primeiro Corão e outros com diversos tópicos, incluindo astronomia, matemática e geografia. A equipe então teve a tarefa de não apenas percorrer centenas de páginas para fazer um registo digital delas, mas também torná-las visualmente atraentes online.

Neste momento, estão disponíveis online, 40.000 páginas que cobrem tópicos desde a biologia à música.

“Central para a herança do Mali, os manuscritos de Timbuktu, representam o longo legado de conhecimento escrito e da excelência acadêmica em África”.

Disse Abdel Kader Haidara e acrescentou:

“Fazer um registo digital e cópia dos manuscritos é muito importante e pela primeira vez, depois de tantos anos, estamos a mostrar os frutos do nosso trabalho”.

 

A tentativa de destruição dos manuscritos de Timbuktu

Este projeto esteve em risco de acontecer, quando em 2013, militantes islâmicos incendiaram as bibliotecas de Timbuktu tentando dessa forma destruir os inestimáveis ​​Manuscritos.

Durante um período de seis meses, os manuscritos de Timbuktu, foram contrabandeados para a capital do Mali, Bamako, numa tentativa de resgatar e preservar os documentos da sua destruição.

Em 2016, um membro do grupo islâmico, Ahmad Al Faqi Al Mahdi, foi considerado culpado de ordenar intencionalmente ataques a edifícios religiosos e históricos em Timbuktu, pelo Tribunal Penal Internacional (TPI). Foi condenado a nove anos de prisão depois de ter pedido desculpas pelo seu acto bárbaro.

Esta foi a primeira vez que o tribunal internacional de Haia julgou um caso de destruição cultural.

 

O que achas disto? Já tinhas ouvido falar dos manuscritos de Timbuktu? Queremos saber a tua opinião, não hesites em comentar e se gostaste do artigo partilha e dá um “like/gosto”.

 

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Imagem: © Google Arts & Culture

  • Ex-atleta olímpico, tem um Doutoramento em Antropologia da Arte e dois Mestrados um em Treino de Alto Rendimento e outro em Belas Artes. Escritor prolifero, já publicou vários livros de Poesia e de Ficção, além de vários ensaios e artigos científicos. neste momento exerce as funções de Chefe de Redação da Mercados Africanos.

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