Para tempos inéditos, financiamento inédito. As instituições financeiras multilaterais, como o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial ou o Banco Africano de Desenvolvimento reagiram com rapidez e empenho à calamidade que se abateu sobre as economias devido à pandemia da covid-19, e os números impressionam não só pelo volume, como pela rapidez com que foram desembolsados.

O FMI prometeu 1 bilião de dólares para ajudar os países, o Banco Mundial garantiu 160 mil milhões, o Banco Africano tem 3 mil milhões especificamente para África e o Banco Africano de Exportações e Importações lançou uma linha de financiamento de 10 mil milhões de dólares, a que se juntam mais 1,5 mil milhões financiados em conjunto com bancos islâmicos.

Dinheiro, parece, não falta aos países africanos para combaterem a pandemia e ajudarem a recuperar as economias, que entraram em recessão no seguimento da quebra da procura e das medidas de confinamento adotadas pela generalidade dos países para combater a propagação do vírus.

O FMI recomenda que os governos gastem à vontade, desde que mantenham os recibos. A expressão da diretora-geral do Fundo mostra que o aumento da despesa pública é a solução defendida pelo maior financiador do mundo, mas ninguém consegue financiar a recuperação da pandemia sozinho.

“Só para reverter o aumento na pobreza extrema em 2020 seriam necessários 70 mil milhões por ano, o que está bem acima das capacidades do Grupo Banco Mundial ou das de qualquer agência de desenvolvimento”, avisou o presidente do Banco Mundial, David Malpass, defendendo que a solução tem de vir de vários quadrantes.

“As soluções sustentáveis só podem surgir através de inovação, novas utilizações para os ativos atuais, mais conhecimentos para os trabalhadores e para os empregos, um reinício para o excessivo peso da dívida, e melhorias no sistema de governação que crie um primado da lei estável e que aceite mudanças”, disse o presidente do Banco Mundial.

FMI já deu 16 mil milhões à África subsaariana

De acordo com os dados disponibilizados pelo FMI no seu site, esta instituição financeira já aprovou desembolsos para a África subsaariana no valor de mais de 16 mil milhões de dólares, destacando-se os 3,4 mil milhões para a Nigéria, mil milhões para o Gana, quase 900 milhões para a Costa do Marfim e 765 milhões para Angola, que são parte dos 3,7 mil milhões de dólares do programa de assistência financeira assinado antes da pandemia, entretanto elevado para 4,5 mil milhões de dólares.

Até agosto, o Banco Africano de Desenvolvimento já tinha desembolsado 3,4 mil milhões dos 10 mil milhões de dólares disponíveis para ajudar os países a combater a pandemia.

As verbas são elevadas, mas os tempos são desafiantes, também. Todas as instituições económicas de pesquisa preveem uma recessão que ronda os 3% para o continente, este ano, seguida de um crescimento de igual valor no ano seguinte.

A necessidade de escrutínio sobre a utilização das verbas tem sido um dos aspetos apontados pela generalidade dos analistas, já que a maioria do financiamento não é a fundo perdido, tendo, ainda assim, taxas de juro mais baixas que as praticadas pela banca comercial.

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