Moçambique: As 26 pontes temporárias financiadas pelo BAD começam a ser instaladas

Tal como Mercados Africanos tinha noticiado a 10 de março 2021, as 26 pontes financiadas pelo BAD e que devem restaurar as ligações de transporte às regiões de Manica, Sofala, Nampula e Cabo Delgado e beneficiar 500.000 começaram a ser instaladas.

O Banco Africano de Desenvolvimento tinha concluído na altura a compra de 26 pontes modulares de aço para substituir as infraestruturas destruídas em desastres climáticos em Moçambique, em particular, na sequência dos estragos provocados pelo ciclone Kenneth em Abril de 2019.

Quatro dessas 26 pontes metálicas vão ser instaladas até ao final do ano sobre os rios Messalo e Montepuez em estradas de Cabo Delgado, depois de intempéries e ataques armados terem travado obras de recuperação, anunciaram as autoridades.

As pontes vão ser colocadas na estrada nacional 380 (via asfaltada que liga norte ao sul de Cabo Delgado) e nas vias rurais 698 e 762, de ligação a Mueda e Quissanga, respetivamente, anunciou o diretor-geral da Administração Nacional de Estradas (ANE), Américo Dimande, citado por órgãos estatais.

Com uma vida útil de serviço de até 100 anos, as pontes fornecerão uma solução temporária em áreas vulneráveis ​​a condições meteorológicas extremas, enquanto o governo investe em pontes permanentes e resilientes em relação às mudanças climáticas.

“Estamos muito satisfeitos por poder dar esta importante contribuição a Moçambique e responder às recentes catástrofes climáticas, ao mesmo tempo que investimos para reconstruir melhor”, disse na altura, Pietro Toigo, o diretor nacional do Banco Africano de Desenvolvimento para Moçambique.

As pontes são financiadas ao abrigo do Programa de Resiliência e Recuperação de Emergência Pós Ciclones Idai e Kenneth, que foi aprovado na sequência dos danos causados por estes dois ciclones que atingiram Moçambique, Zimbabué e Malawi em 2019 e afetaram cerca de 3 milhões de pessoas nos três países.

O programa está a ser implementado ao longo de quatro anos, terminando em Dezembro de 2023, com um custo total de 100 milhões de dólares. O financiamento foi fornecido pelo Fundo Africano de Desenvolvimento, parte do Grupo do Banco Africano de Desenvolvimento.

Recorde-se que Cabo Delgado é uma província rica em gás natural, mas aterrorizada desde 2017 por rebeldes armados, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico.

O conflito já provocou mais de 3 100 mortes, segundo o projeto de registo de conflitos ACLED, e mais de 817 mil deslocados, segundo as autoridades.

Desde julho 2021, uma contraofensiva das tropas governamentais com o apoio do Ruanda a que se juntou depois a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) permitiu aumentar a segurança, recuperando várias zonas onde havia presença de rebeldes, nomeadamente a vila de Mocímboa da Praia, que estava ocupada desde Agosto de 2020.

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