Enquanto uns sofriam pela incerteza quanto ao seu futuro, algumas pessoas, na sua maioria residentes de Ressano Garcia e arredores, aproveitaram a situação para fazerem negócio, nalguns casos de forma oportunista para arrancar dinheiro aos viajantes.

Entre os corredores que separavam as três filas de viaturas criadas na EN4, circulavam jovens que vendiam garrafas de água a 150 meticais, pão a 15 e 20 meticais e ananás a 100 meticais, preços considerados injustos pelas pessoas utentes e passageiros das viaturas congestionadas, algumas das quais que se consideram utentes frequentes daquele posto fronteiriço, mas “não tem alternativa”.

Para além disso, automobilistas há que usaram as suas viaturas ligeiras, de quatro ou cinco lugares, para fazer transporte semicolectivo de passageiros, qual licença, para quê, cobrando 50 meticais ou 10 randes.

Estes “chapas luxuosos” (relativo a viaturas de transporte semicolectivo de passageiros) marcavam esses preços para percorrer a distância entre a Terminal Internacional Rodoviária de Ressano Garcia, vulgo Quilómetro Quatro, até ao posto fronteiriço, numa distância igual ou inferior a quatro quilómetro, único perímetro onde se podia circular naquela rodovia.

Cansados, sem alternativa e com ansiedade de terminar a viagem os viajantes que abandonaram os autocarros pagavam essas módicas quantias, para ganhar a fila e saber se poderiam atravessar a fronteira para África do Sul ou não.

Moisés Magul, proveniente do distrito da Macia, em Gaza, está em Ressano Garcia desde as 20.00 horas de segunda-feira e desde então não recebeu qualquer informação sobre o que estava a acontecer e quando poderia chegar a Pretória, na África do Sul, seu local de trabalho.

Sentado na sua viatura Isuzu, dupla cabine, com mais quatro pessoas, Magul contou que começou a trabalhar naquele país em 1994 e era a primeira vez que vivia uma situação igual.

Revelou que estava há quatro dias sem fazer banho, lavar a boca e outras necessidades, daí entender que a Covid-19 veio trazer outra forma de viver no mundo.

Tal como ele, Teresa David, residente da Matola, estava naquela zona fronteiriça há três dias à espera de voltar ao seu posto de trabalho. Contou que até conseguiu atravessar a fronteira de Ressano Garcia, mas não passou pela de Lebombo porque o seu teste de Covid-19 era falso.

Manifestou-se preocupada por não saber qual seria a situação no local de trabalho, uma vez que tinha combinado uma data de regresso com o patronato, mas esta data já está ultrapassada.

Tal como estes três cidadãos, muitos outros continuavam à deriva em Ressano Garcia, sem saber como voltar para casa ou se vão continuar a viagem para África do Sul, outros ainda não tendo a certeza que vão poder sair daquelas longas filas.

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