O Governo de Moçambique está a ponderar as modalidades rodoviária, marítima o via gasoduto para transportar gás natural extraído no distrito de Palma, província de Cabo Delgado, para a região sul do país.

A província onde avança o maior investimento privado de África, para exploração de gás natural, está desde há três anos sob ataque de insurgentes e algumas das incursões passaram a ser reivindicadas pelo grupo “jihadista” Estado Islâmico desde 2019.

O facto foi revelado pelo porta-voz da 41ª Sessão Ordinária do Conselho de Ministros, Filimão Suaze, que afirmou que o Executivo de Filipe Nyusi encomendou um estudo sobre o ponto de situação do transporte deste combustível do norte para o sul do país.

“A questão tem a ver com a comparação de vários modelos possíveis de transporte de gás natural de Palma para o Sul, admitindo as três hipóteses existentes, nomeadamente a possibilidade do transporte via terrestre, por gasoduto ou através de navios”, disse Filimão Suaze, que é igualmente vice-ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos.

A uma pergunta sobre a conclusão do estudo, o porta-voz afirmou que este ainda está a ser apreciado pelo Governo e quando houver uma informação mais consolidada, com a opção escolhida será feita uma comunicação pública.

Refira-se que Moçambique possui depósitos de gás natural, calculados em mais de 180 triliões de pés cúbicos no distrito de Palma, com o potencial de levar o país a ocupar o quarto lugar na lista dos maiores produtores mundiais.

Entretanto, o distrito de Palma está localizado a norte da província de Cabo Delgado que, desde Outubro de 2017, está a ser severamente afectada pelos ataques terroristas que causaram milhares de mortos e deslocados.

A violência armada em Cabo Delgado está a provocar uma crise humanitária com cerca de duas mil mortes e 500 mil pessoas deslocadas, sem habitação, nem alimentos, concentrando-se sobretudo na capital provincial, Pemba.

Para além de Pemba, os deslocados refugiaram-se nas províncias de Nampula, Niassa, Zambézia e Inhambane onde vive em casas de familiares, amigos ou em centros de acolhimento transitórios, sob assistência do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC).

Os deslocados também sobrevivem graças à assistência de organizações não governamentais, instituições e pessoas singulares que se solidarizam com a situação, apoiando com tudo o que é possível e necessário.

Recentemente o Programa Mundial da Alimentação (PMA), que presta apoio aos deslocados, anunciou que vai reduzir a ajuda alimentar a Cabo Delgado por falta de financiamento.

A organização debate-se com problemas de falta de financiamento adicional, o que é urgente, e a não acontecer poderá forçar ou a reduzir as porções de alimentos ou a diminuir o número de beneficiários a partir do mês de dezembro.

O PMA está comprometida a assistência humanitária aos deslocados internos em Cabo Delgado, Nampula e Niassa, que segundo os últimos números do Governo moçambicano ascendem a 500.000 pessoas, cerca de metade menores de 18 anos.

Por seu lado o Presidente moçambicano ,Filipe Nyusi, falando na abertura do XXI Conselho Coordenador do Ministério da Defesa Nacional, desafiou as Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) para a restaurarem a normalidade em Cabo Delgado e nas províncias de Manica e Sofala, estas duas últimas assoladas pelos ataques da auto proclamada Junta Militar da Renamo, desde 2019.

Filipe Nyusi disse que cabe ao sector da Defesa manter a soberania e consolidar o ambiente de paz, fatores imprescindíveis para que o Governo e o povo possam materializar o programa de desenvolvimento nacional.

“A existência de terroristas no território nacional é uma ameaça à soberania. O combate deste flagelo e a restauração da normalidade nas regiões afetadas constitui o principal desafio para as Forças de Defesa e Segurança (FDS) em geral, e para as Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) em particular”, disse.

Recomendou ao Ministério da Defesa Nacional, as FADM, e o Estado-maior general das FADM, a proverem meios operativos para as tropas, condições logísticas de aquartelamento, e condições de proteção individual.

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