O Governo moçambicano anunciou que pretende assumir a dívida contraída junto do Brasil para a construção do Aeroporto Internacional de Nacala, devido à incapacidade de o empreendimento gerar recursos que permitam o reembolso do encargo.

A informação foi dada pelo ministro da Economia e Finanças, Adriano Maleiane, adiantando que o Executivo moçambicano já está a trabalhar com Brasília para encaixar esta dívida no Estado.

“A empresa Aeroportos de Moçambique, que gere a infraestrutura aeroportuária de Nacala, na província nortenha de Nampula, tem os problemas financeiros que tem”, afirmou o governante, que falava na Assembleia da República, numa sessão de perguntas das bancadas parlamentares ao Governo.

Afirmou que o Aeroporto Internacional de Nacala, na província de Nampula não está a ter tráfego suficiente para gerar um rendimento à altura de assegurar a amortização da dívida contraída junto do Brasil.

O ministro da Economia e Finanças disse que o país deve ao Brasil 180 milhões de dólares (152,2 milhões de euros), mas não especificou se o montante inclui a dívida para construção do Aeroporto Internacional de Nacala.

A dívida da construção da infraestrutura foi contraída pela empresa Aeroportos de Moçambique, na qualidade de gestor do sistema aeroportuário moçambicano, junto do Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES), instituição financeira do Governo brasileiro.

Adriano Maleiane disse estar otimista quanto ao desfecho uma vez estarem “num processo de negociação” com o Brasil que, por sinal, tornou-se membro do Clube de Paris e pode-se encaixar esta situação da dívida nesta base.

O Clube de Paris integra os países que são principais credores bilaterais do mundo.

O ministro da Economia e Finanças avançou que o empréstimo para a construção do Aeroporto Internacional de Nacala já passou para a titularidade do Ministério das Finanças do Brasil.

“O que aconteceu no Brasil é que, a nível do Governo, eles resolveram restruturar e sanear a carteira da dívida do BNDES e o Governo brasileiro disse que esta situação da dívida tem de passar para o Ministério das Finanças”, declarou Adriano Maleiane.

O executivo moçambicano, continuou, foi notificado da decisão no ano passado por Brasília.

O Aeroporto Internacional de Nacala entrou em funcionamento em 2014 e custou 125 milhões de dólares (111 milhões de euros), tendo sido construído pela empreiteira Odebrecht com recursos financiados pelo Brasil.

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