O grupo francês Total anunciou que suspendeu indefinidamente o seu mega projeto de gás natural liquefeito (GNL) de 22 mil milhões de dólares em Moçambique.

“Esta é a única maneira de proteger melhor os interesses do projeto, até que as obras possam ser retomadas”, disse Total numa nota na segunda-feira, 26 de abril, lembrando que se trata de um caso de força maior.

Esta decisão é um golpe para Moçambique, que terá de perder milhares de empregos e rendimentos com a venda do gás.

A mudança também será um revés para a Total, que tinha a esperança de começar a exportar o combustível até o final de 2024.

Recordamos que horas depois de a Total ter anunciado a 24 de março 2021 que estava a retomar os trabalhos no projeto, que estavam bloqueado desde janeiro 2021 devido a ameaças à segurança, mais de 100 rebeldes atacaram a cidade de Palma.

Dezenas de pessoas morreram, milhões de dólares em propriedades foram danificados e a empresa congelou imediatamente os planos de retomar o projeto.

Recorde-se que o Mozambique LNG é um projeto estratégico nacional com o estabelecimento da primeira central onshore de gás natural liquefeito (LNG) do país, na península de Afungi, no norte de Moçambique, e no qual assentam grandes esperanças relativamente ao financiamento do desenvolvimento económico do país.

Inclui o desenvolvimento dos campos de Golfinho e Atum localizados na Área Offshore 1 e a construção de duas infraestruturas de liquefação com uma capacidade total de 12,9 milhões de toneladas por ano (Mt / a).

Neste contexto e segundo um comunicado, em inglês, lido por Mercados Africanos o NJ Ayuk, presidente da African Energy Chamber (AEC) declarou: “Moçambique continua a ser uma das opções mais atrativas para a produção de gás no mundo devido à sua neutralidade em carbono, representando uma solução viável para as alterações climáticas”.

A AEC afirmou igualmente que :”Estamos dececionados com a recente decisão da Total de declarar força maior no seu projeto de GNL em Moçambique; acreditamos que a declaração de força maior poderia ter sido evitada e vem prematuramente”, lê-se no mesmo comunicado.

A African Energy Chamber que promove investimentos energéticos em África, reconhece que a declaração da Total tem por base “um instrumento legal à sua disposição para alcançar os seus objetivos e compromissos com os seus credores e o governo”.

O comunicado sublinha que “Moçambique pode ter alguns problemas de segurança importantes no momento” mas, acrescenta, “não está entre os principais países mais afetados pelo terrorismo, de acordo com o Índice de Terrorismo Global 2020”.

A Câmara evoca a Nigéria, Paquistão, Iraque, Índia e Líbia, “onde a Total continua a operar” e espera “que a Total assuma em Moçambique a mesma postura que tem feito nestes países mais afetados pelo terrorismo e, juntamente com o governo e outras partes envolvidas, encontre uma solução para continuar com segurança o seu Projeto de GNL”.

Como temos vindo a noticiar grupos armados aterrorizam Cabo Delgado, desde 2017, numa onda de violência que já provocou mais de 2.500 mortes segundo o projeto de registo de conflitos ACLED e 714.000 deslocados de acordo com o Governo moçambicano.

Pela redação

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