A recuperação económica no África subsaariana vai ser um processo lento e desigual, mostrando que o erro tantas vezes cometido de falar de África como se de um só país homogéneo se tratasse é isso mesmo… um erro.

Para a agência de rating ‘Moody’s, os países africanos vão enfrentar dificuldades nos próximos anos, não só pela eterna questão da dívida pública, mas pelos efeitos prolongados decorrentes da pandemia.

“As condições de operação em toda a áfrica vão continuar difíceis, com a atividade económica, a despesa das famílias e as finanças públicas a serem negativamente afetadas pelas consequências da pandemia, que vai enfraquecer o desempenho geral das instituições financeiras e também, de forma indireta, afetar o perfil de crédito dos bancos, devido à forte exposição às finanças do país em que operam”, dizem os analistas.

Numa análise à recuperação económica no continente, esta agência de notação financeira norte-americana lembra que 90% das descidas de rating aplicadas às instituições financeiras africanas foram tomadas devido à descida da nota do país em que estes bancos operam, já que um banco não pode ter uma nota melhor do que a do país em que opera.

“A qualidade dos ativos, a rentabilidade e a liquidez em moeda externa vão continuar a ser os maiores pontos de pressão para os bancos, que deverão enfrentar um aumento do crédito malparado e ser prejudicados pela descida da rentabilidade devido à queda da atividade empresarial e à necessidade de aumentarem as provisões”, acrescentam.

A pandemia de covid-19 atirou boa parte do continente para uma recessão económica sem precedentes, anulando anos e anos de ganhos em termos de combate à pobreza e de desenvolvimento económico, tem alertado do Banco Mundial e as principais organizações humanitárias, que notam um aumento dos níveis de pobreza e de exclusão social no seguimento dos efeitos da pandemia.

Para as finanças públicas dos países africanos, a covid-19 chegou na pior altura possível, já que à descida do preço das matérias-primas, juntou-se o aumento do endividamento externo, que se tornou insustentável num contexto de redução das receitas e aumento das despesas para combater a propagação da doença.

“A recuperação lenta da receita vai exacerbar os desafios sobre a sustentabilidade da dívida na África subsaariana, ao passo que a diminuição das receitas em moeda externa vão aumentar as vulnerabilidades externas”, sintetiza a Moody’s, avisando que “isto vai contribuir para apertar de forma persistente as condições financeiras, limitando as fontes de financiamento numa altura em que as necessidades são cada vez maiores”.

As debilidades na arquitetura financeira africana e na governação em geral aumentam a probabilidade de o choque abrandar o crescimento durante um período significativo, mas a Moody’s salienta também que, apesar da recessão de 3% e da recuperação de 3,1% prevista para 2021, o sistema financeiro é resiliente.

“Apesar de todas as pressões, a estabilidade financeira da maioria dos sistemas bancários que analisamos vai manter-se”, já que “as reservas de capital, o financiamento estável em moeda local e a melhoria da supervisão bancária e do modelo de gestão de risco vão compensar os riscos”, concluem os analistas da Moody’s.

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