Mudanças climáticas: África luta por obter 30 mil milhões de dólares

Em África, o continente que menos polui, os efeitos das mudanças climáticas são sentidos, de forma grave, há já vários anos.

Os países que já dedicam uma parcela significativa de seus orçamentos à adaptação foram afetados pela covid-19 e planeiam obter financiamento de países desenvolvidos na COP 26.

Os negociadores africanos da COP26, que será realizada em Glasgow em novembro próximo, pretendem chegar a um acordo para aumentar o financiamento climático a fim de apoiar os países do continente a se adaptarem e a se prepararem para o agravamento das mudanças climáticas e também contribuirá para o objetivo global de limitar o aumento da temperatura a 1,5 graus C.

Na COP26, a equipe de negociação africana pretende obter 30 mil milhões de dólares. No entanto Seyni Nafo, porta-voz do grupo, lembrou que os países desenvolvidos não estão a cumprir o que tinha sido acordado de mobilizar 100 mil milhões de dólares por ano para ajudar os países em desenvolvimento a se adaptarem e mitigarem as mudanças climáticas.

“Dinheiro não é um problema. O que está em jogo é a vontade política de enfrentar o problema. É por isso que, como um grupo africano, nos tornamos extremamente astutos em construir uma coligação com o resto dos grupos de países em desenvolvimento para realmente defender as nossas posições”, disse Nafo.

Parte do dinheiro seria usado para apoiar os agricultores que estão a sofrer das consequências das mudanças climáticas, acrescentou ele.

Os governos africanos já gastam entre 2% e 9% do seu produto interno bruto em programas de adaptação.

A ONU estima que os custos anuais de adaptação nos países em desenvolvimento poderiam ser multiplicados por sete, até 2050.

De acordo com a Aliança Pan-Africana para Justiça Climática, é altura dos líderes mundiais agirem com a mesma urgência sobre as mudanças climáticas de como agiram face ao covid-19

Theo Acheampong, economista de energia da Universidade de Aberdeen, acredita que os negociadores africanos devem aproveitar o impacto do covid-19 nas economias.

“As nações africanas devem insistir sobre o facto da pandemia ter tornado as coisas muito difíceis para várias de nossas economias. A maior parte do financiamento que teria sido concedido, foi cortada. Isso teve um impacto desastroso em muitos meios de subsistência, incluindo financiamento para programas de adaptação climática”, disse ele.

Delegações de jovens africanos também participarão da conferência para fazer ouvir a sua voz por uma maior inclusão no processo liderado pela ONU.

Mercados Africanos recorda que a 26ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP-26), principal cimeira da ONU para debate sobre questões climáticas, será realizada entre os dias 1 e 12 de novembro deste ano (2021), em Glasgow, na Escócia.

Realização conjunta do governo britânico com parceiros da Itália, a COP-26 estava originalmente prevista para novembro de 2020; porém, como mais um dos reflexos da pandemia, a sua realização foi adiada e remarcada para 2021.

Independentemente da data, o evento tem grande relevância para que as ações de transição energética mundiais sejam colocadas em prática.

Importante destacar que no caso do Acordo de Paris, as nações se comprometeram a implementar mudanças, estabelecendo metas nacionais para reduzir as emissões de gases de efeito estufa até 2025 ou 2030, com revisões a cada cinco anos.

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