Entrevista Exclusiva a Domingos Simões Pereira, PR do PAIGC, Ex-PM da Guiné-Bissau (2014-2015) e Secretário Executivo da CPLP entre a VII e a VIII Conferência de Chefes de Estado e de Governo (2008-2012)

– Primeira Parte –

Mudar a narrativa para uma imagem positiva e convincente da Guiné-Bissau.

Esta conversa exclusiva de Mercados Africanos, com Domingos Simões Pereira, Presidente do Partido Africano da Independência da Guiné e de Cabo Verde (PAIGC), Ex-Primeiro-Ministro e antigo Secretário Executivo da Comunidade dos Países Língua Portuguesa (CPLP), centrou-se na economia e na visão que este líder político tem do desenvolvimento sustentável da Guiné-Bissau.

Domingos Simões Pereira, engenheiro civil de profissão, começou por se referir ao potencial africano e da Guiné-Bissau, em particular, ao sublinhar que “Infelizmente os nossos países continuam a ser países de grande potencial económico e o grande desafio é como converter, transformar esse potencial em ganhos concretos”.

Como líder político também não deixou de mencionar a estabilidade como uma prioridade ao dizer, “mas penso que na prática é impossível dissociar os pressupostos políticos da economia”.

Para Domingos Simões Pereira “o fundamento do desenvolvimento de qualquer sociedade tem que estar no conhecimento real das suas potencialidades e numa visão estratégica que tenha a capacidade de transformar esse potencial em ganhos concretos”.

Ao falar sobre o potencial da Guiné-Bissau disse: “referimo-nos a 4/5 grandes potenciais de desenvolvimento a agricultura com a castanha de caju que, no entanto, é exportada sem transformação, sem lhe ser acrescentada mais-valia, ou seja, exportamos emprego para a India e outros destinos” começou por dizer o antigo Primeiro-ministro ao referir-se ao potencial agrícola e de agronegócio desse país da África Ocidental.

Ainda neste setor da economia, relembrou que “a Guiné-Bissau já foi um potencial cerealífero e nos anos 60 exportava arroz, mas agora depende fortemente da importação”

O arquipélago dos Bijagós conhecido pela sua beleza e potencial turístico não podia deixar de ser mencionado “No turismo, temos um arquipélago de mais de 80 ilhas, 30 das quais podem ser habitadas, mas o que é o potencial dessas ilhas sem infraestruturas, sem investimentos? “questionou-se ele, para logo acrescentar”, mas tenho que também insistir sobre o facto de que sem estabilidade não há investimentos”.

Em relação â estratégia implementada no setor das pescas Domingos Simões Pereira sublinhou” A pesca é também um setor com grande potencial, mas que demonstra a nossa inabilidade de o explorar, já que temos uma estratégia que se resume a emitir licenças de pesca, sem criar uma indústria local”.

Por fim, os recursos mineiros – que na visão do antigo Primeiro-ministro, não devem ser a prioridade – foram também abordados “os recursos mineiros que muitos colocam em primeiro plano, nós colocamos em último, porque sem infraestruturas apropriadas esse potencial mineiro pode não ter o impacto desejado”.

Ao falar das medidas concretas a tomar, realçou que são as que já tinha proposto em 2014 e relembrou o programa “terra ranca” (significa o país em movimento, em Crioulo da Guiné-Bissau) que, segundo ele, “teve por base um exercício inclusivo de todas as forcas guineenses incluindo os que estavam fora, com o objetivo de também de mudar a narrativa para uma imagem mais positiva e convincente do país, mas que também incorporava projetos estruturantes”.

(continua)

Veja AQUI a Segunda Parte desta Grande Entrevista

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