A intervenção do secretário-geral da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), que junta as 40 economias mais avançadas, foi a abertura do 20º Fórum Económico Internacional sobre África e Angel Gurría não desiludiu.

Logo nas primeiras frases, disse ao que vinha e deixou um caderno de encargos para os líderes mundiais, avisando que sem África não há recuperação económica sustentável a nível mundial e defendendo que o continente precisa de mais cooperação.

“O fim da pandemia e a recuperação económica mundial serão uma miragem se isso não incluir África, é por isso que a cooperação internacional é agora tão importante, e é fundamental reimaginar a ajuda ao desenvolvimento”.

Perante uma audiência virtual que incluiu os presidentes de Madagáscar e do Senegal, bem como o ministro dos Negócios Estrangeiros do Japão, Gurría foi mais longe e criticou abertamente os países mais ricos.

“Foram gastos 14 biliões de dólares em estímulos para combater a pandemia, mas a Ajuda Oficial ao Desenvolvimento vale apenas 153 mil milhões, e depois a COVAX não tem dinheiro que chegue, como é possível estar subfinanciada quando os países gastaram nas suas economias mais de 100 vezes o que dão para AOD? Isto significa que podem multiplicar a Ajuda e partilhar as vacinas para que todos possam vencer a pandemia”, disparou o mexicano que lidera a organização que junta as 40 economias mais avançadas.

No discurso, Gurría lembrou as quedas de rendimento de pelo menos 10% do PIB por cada pessoa em 22 países africanos, a recessão em 41 países, quando na crise financeira de 2008 só 11 viram as economias afundar, e lamentou ainda que o Investimento Direto Estrangeiro e as remessas tenham caído, 40% e 9%, respetivamente.

Para os países africanos que dependem do investimento para equilibrar as economias e financiar a construção de infraestruturas que possam garantir o desenvolvimento económico, estas quebras, mais do que interromper o progresso, constituem um retrocesso que algumas instituições, como o Banco Mundial, dizem poder arrasar com os progressos de uma década inteira.

A receita para a recuperação é a mesma de instituição para instituição, mostrando que provavelmente os diagnósticos estão feitos e só falta mesmo aplicá-los: usar o acordo de comércio livre para impulsionar o crescimento, mobilizar as receitas internas e acelerar a diversificação estão entre as principais.

Do outro lado do mundo, o Japão prometeu ajudar. O ministro dos Negócios Estrangeiros lembrou que o país há muito que ajuda o continente africano, o que explica que as empresas japonesas tenham passado de 520 para 910 nos últimos dez anos, espalhadas desde o norte do continente até ao megaprojeto de gás natural em Moçambique, o maior investimento privado da África subsaariana.

“Queremos servir e ajudar”, concluiu o ministro, prometendo um grande encontro para 2022, na Tunísia, quando se realizar o TICAD VIII e defendendo que todos têm de participar no alívio da dívida, incluindo os credores privados.

Unsplash ©

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