Entrevista Exclusiva com Nú Barreto, Artista Plástico Contemporâneo Guineense

– Segunda Parte –

Na minha Guiné, é lamentável a falta de apoio aos artistas.

Esta é a segunda e última parte da conversa que tivemos com Manuel Jerónimo Barreto da Costa Oliveira, conhecido como Nú Barreto, que nasceu em 1966 em São Domingos, norte da Guiné-Bissau e aos 21 anos partiu para Paris onde atualmente vive e trabalha.

Considerado uma das principais figuras da arte contemporânea africana, as suas obras constam de diversas coleções privadas e museus e já foi exibida em diversas exposições, individuais ou coletivas, em várias partes do mundo.

Apesar da base africana dos seus trabalhos, Nú Barreto sublinhou que também reivindica o caracter universalista das suas obras. “Não me fecho no prisma do artista africano”.

E acrescentou “Como artista não vejo só para de onde venho, mas preocupo-me com o que se passa no Mundo.” Sou artista, ponto final”.

Nú Barreto incorpora na sua estética as formas, símbolos das cores e motivos, com forte significado para denunciar a desumanização, a desvalorização do indivíduo, a miséria e o sofrimento que assola, não somente o continente africano, mas o mundo.

Apesar disto, o artista guineense falou-nos da África que inova e que faz grandes avanços, “mas que apesar de uma explosão de eventos e de colecionadores de arte que entenderam que se deve consumir “local”, [ou seja comprar as obras dos artistas africanos], estes têm muito poucos apoios”.

Nesse sentido, lançou o apelo para que os artistas africanos, incluindo os da diáspora, sejam mais apoiados tanto pelo setor público como o privado.

E desabafou “no nosso continente pomos a cultura sempre para trás” e explicou que “os que deviam apoiar, deveriam aprender com os que, em outros continentes, sabem como fazer para apoiar as artes”.

Mas também mencionou que em certos países anglófonos, há uma grande aposta na cultura e “consomem” local, ao dar o exemplo da Nigéria.

Artista multidisciplinar apresenta a sua arte de forma híbrida, combinando os mais diversos materiais e técnicas das diversas linguagens: desenho, fotografia, pintura e vídeo.

Leia a Primeira Parte da Entrevista: Cheguei onde estou com muito trabalho e empenho

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