A ex-Ministra das Finanças da Nigéria, Ngozi Okonjo-Iweala, é o último candidato e a única mulher, africana e negra, na corrida para se tornar a nova Diretora-Geral da Organização Mundial do Comércio após a retirada da Ministra do Comércio da Coreia do Sul, Yoo Myung-hee, a 5 de fevereiro.

Tal como Mercados Africanos tinha noticiado a 18 de novembro 2020, a corrida pelo cargo tinha sido congelada, quando se descobriu que Okonjo-Iweala tinha o apoio de mais de 70% dos membros da OMC, mas que o governo de Donald Trump vetaria a sua candidatura e apoiaria a da Ministra Yoo.

Para evitar essa situação os administradores da OMC suspenderam o processo eleitoral indefinidamente, embora todos soubéssemos que estavam à espera do resultado das eleições americanas, considerando que a opinião geral era a de que os EUA mudariam de posição se Trump perdesse as eleições presidenciais naquele mês.

Com a vitória de Joe Biden, tudo parece indicar que Washington reconhecerá a vitória de Okonjo-Iweala na corrida ao posto de Diretor-Geral da da OMC na qual a espera um trabalho gigantesco: tentar reconstruir um consenso em torno da cooperação comercial multilateral uma era de nacionalismos económicos.

No seu primeiro discurso de política externa a 4 de fevereiro, Biden anunciou o retorno dos EUA ao multilateralismo e à cooperação com seus aliados (a maioria dos quais votou em Okonjo-Iweala na OMC).

Se Biden apoiar Okonjo-Iweala, será a terceira reviravolta às políticas de Trump sobre organizações multilaterais: primeiro, o retorno dos EUA ao Acordo do Clima de Paris e depois o ter reintegrado a Organização Mundial de Saúde.

Okonjo-Iweala deu um passo enorme para se tornar a primeira mulher e a primeira africana a ser diretora da instituição que controla o comércio global, após ter já obtido em novembro 2020 o apoio da UE, China, Japão e Austrália e claro está de Africa.

Por culpa de Trump, o atraso na seleção de um novo diretor-geral da OMC ocorre num momento difícil da economia mundial que se debate com a terceira onda do Covid-19, e após anos de críticas à OMC por parte da sua administração.

O ex-diretor-geral da OMC, Roberto Azevedo do Brasil, renunciou um ano antes do fim de seu mandato, deixando a Organização no impasse na organização e em plena guerra comercial entre os EUA e a China.

Teoricamente, os administradores da OMC deveriam -se em março para a eleição, mas após a retirada da Ministra Yoo, Okonjo-Iweala poderia ser confirmada ainda em fevereiro.

Embora o trabalho seja difícil, é uma grande oportunidade, principalmente devido à sincronicidade com o lançamento da Zona de Comércio Livre Continental Africano (ZCLCA), porque Okonjo-Iweala pode garantir que a África não seja deixada de fora de discussões e políticas importantes, sobretudo agora devido à desaceleração económica causada pela pandemia de Covid-19.

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