Investidores suecos preveem investir 15 milhões de euros na pesca industrial e processamento de pescado em Cabo Verde e acabam de formalizar a constituição da empresa Duquesa, com sede na Praia, ao mesmo tempo que também noruegueses apostam no arquipélago e na aquacultura.

Na origem deste investimento está um memorando de entendimento assinado em novembro pela Cabo Verde TradeInvest, entidade estatal que capta investimento estrangeiro para o arquipélago, e pelos investidores suecos, liderados por Magnus Nilsson. Neste acordo, o Governo cabo-verdiano, através do Ministério da Economia Marítima, assume o compromisso de garantir as condições para as instalações terrestres da fábrica de processamento de pescado, que “os promotores pretendem instalar em Cabo Verde, com vista à exportação para os mercados internacionais”, segundo aquela entidade.

O investimento já começou a sair do papel e conforme documentação a que o Mercados Africanos teve acesso, foi já constituída este mês na Conservatória da Praia a sociedade comercial anónima Duquesa SA, com um capital social inicial de 2,5 milhões de escudos (22.500 euros). A nova empresa cabo-verdiana de promotores suecos tem como objeto a pesca marítima industrial e/ou artesanal, bem como a preparação, congelação e transformar “por qualquer processo” de produtos de pesca.

Inclui as atividades dos navios-fábrica que se dedicam à preparação, congelação e transformação do peixe e de outros produtos de pesca, no alto mar ou em fábrica em terra. Prevê ainda dedicar-se em Cabo Verde à produção de óleos e gorduras de portos da pesca, bem como da aquacultura, essencialmente para exportação, conforme prevê o objeto social da empresa.

Também os noruegueses estão a apostar no arquipélago e em outubro, o primeiro-ministro cabo-verdiano, Ulisses Correia e Silva, anunciou  a “efetivacão da sociedade Nortuna CV SA”, assumindo tratar-se de um “excelente projeto para São Vicente”. Resulta da recente assinatura de um memorando de entendimento entre o Ministério da Economia Marítima e a empresa norueguesa.

“A Nortuna, uma empresa referência mundial na reproducão de atum em aquacultura, escolheu Cabo Verde para produção em larga escala, prevendo criar mais de 400 postos de trabalho diretos e um total de 1.200 indiretos”, anunciou. Acrescentou que a primeira fase deste investimento na ilha de São Vicente será em Flamengo, estando prevista a expansão posterior para Tarrafal de Monte Trigo (ilha de Santo Antão) e para a ilha de São Nicolau, decorrendo a produção nas águas do Atlântico.

Fonte da Nortuna já explicou que o memorando de entendimento que assinou com o Governo cabo-verdiano visa “desenvolver e expandir a produção de atum-rabilho do Atlântico na região de Cabo Verde”: “Juntos, iremos desenvolver a produção de peixes de alta qualidade, garantindo que os impactos ambientais e o bem-estar dos peixes sejam cobertos ao mais alto nível. Através da produção sustentável, a Nortuna será o contribuinte mais importante de Cabo Verde para atingir os objetivos de sustentabilidade da ONU”.

O atum-rabilho (Thunnus thynnus), que pode ultrapassar os 200 quilogramas por peixe, é considerado o “rei” do sushi e apresenta, recorda a empresa, o valor mais alto de mercado, com o Japão a garantir 60% das compras. O atum-rabilho é uma espécie classificada como ameaçada e o excesso nas capturas no Atlântico e no Pacifico levou várias empresas a apostarem em produção certificada através de aquacultura.

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