O Chade sob o peso dos credores privados

O tratamento da dívida do Chade pelos seus credores privados é essencial para a recuperação económica, segundo nota do diretor do departamento africano do Fundo Monetário Internacional (FMI), o etíope Abebe Selassie, publicada a 7 de setembro de 2021 no site da instituição e ao qual teve acesso Mercados Africanos.

Com efeito, sublinha Abebe Selassie, a dívida do país “não é considerada viável”. O seu “tratamento” é, “portanto, essencial” e permitiria subsequentemente ao conselho de administração do FMI aprovar o financiamento em apoio ao programa de reequilíbrio das finanças públicas cuidadosamente calibrado, bem como as reformas acordadas com a equipa técnica do FMI em Janeiro”.

“Esse tratamento também permitiria que outros parceiros ao desenvolvimento desbloqueassem uma assistência financeira significativa”, acrescenta Abebe Selassie.

De acordo com o FMI, a situação económica e financeira do Chade continua a se deteriorar sob o efeito combinado da pandemia Covid-19, queda dos preços do petróleo, mudança climática e ataques terroristas.

“As negociações recentes confirmaram as crescentes preocupações sobre as dificuldades de financiamento que o Chade enfrenta, que forçou o governo a reduzir os gastos sociais e de desenvolvimento essenciais; se estas despesas não forem rapidamente repostas ao nível anterior, podemos temer graves consequências nas questões sociais e para a segurança do país”, avisa o etíope que dirige o departamento África do FMI, desde 2016.

Recorde-se que tal como Mercados Africanos tinha noticiado e comentado a 31 de janeiro de 2021,  o Fundo Monetário Internacional (FMI) tinha anunciado um acordo com o Chade, sobre um programa de médio prazo de quatro anos, com um apoio de cerca de 560 milhões de dólares.

No passado mês de Junho 2021, os credores públicos manifestaram-se favoravelmente à negociação das condições de reestruturação da dívida do país. O FMI congratulou-se com o anúncio e considerou “um passo fundamental no caminho para o alívio da dívida de que o Chade necessita com urgência”.

O Chade foi o primeiro país da era Covid a solicitar oficialmente a reestruturação de sua dívida aos principais credores a fim de poder obter o financiamento dos 560 milhões de dólares do FMI.

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