Há que vacinar, seguir as instruções dos que estão a dominar a pandemia e finalmente aprender a viver com o COVID-19 tal como o fazemos com outras doenças.

Tal como as outras vacinas a proteção  nunca será a 100% mas a vida seguirá o seu caminho e por isso, creio eu, é tempo que ainda em 2021, se retome o caminho dos investimentos em África, mesmo que venha a ser necessário um “passaporte” sanitário para se viajar.

Sobre este ponto Mercados Africanos espera que não seja o caso, devido às várias implicações, incluindo as de ética e as que serão inerentes ao “fosso” que já se está a criar entre os países que desde cedo acederam às vacinas e os outros, particularmente, os africanos.

Mas voltemos ao nosso tema: investimentos.

Todos sabemos o impacto económico e social da pandemia, mas os destinos e oportunidades de investimentos e de negócios no continente não diminuíram, antes pelo contrario.

Com a Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA) operacional, ou pelo menos, já a funcionar as mais valias de investimento aumentam.

Falemos de destinos menos conhecidos para investir mas que no contexto da ZCLCA vale pena mencionar.

Estes “novos” destinos para investimentos que nem sequer incluem a Nigéria já que, embora, mas nem sempre, o tamanho apresenta os seus próprios desafios. Às vezes o pequeno é bom.

A Nigéria terá mais de 300 milhões de consumidores em 2030 e pode estar entre as dez maiores economias do mundo até 2050. Mas estes dados podem também esconder complicações e sobretudo a longa caminhada para alcançar todos os consumidores.

Os países com melhores indicadores em gestão do risco e governação têm a oportunidade de se tornarem nos próximos Dubai ou Singapura  – centros de comércio internacionais que se desenvolvem tendo por base um quadro de promoção e crescimento de negócios.

Entre os países mais pequenos, destacam-se seis: Ihas Maurícias, Ruanda, Botswana, Djibuti, Gana, Namíbia e Cabo Verde.

Cabo Verde e as Ilhas Maurícias, por exemplo, são ambas consideradas como potenciais futuros centros de serviços financeiros.

Djibuti um futuro centro portuário e de logística no Corno de África.

Gana, Namíbia e Ruanda como futuros centros de transporte ou de logística.

Botswana tem planos ambiciosos para ser o hub mundial no comércio de diamantes.

O Gana tem aspirações em tornar-se o centro de TIC Africano.

 Um dos mercados mais acessíveis é a Costa do Marfim e que apesar das turbulências continua a ser uma potência na Africa Ocidental, com classe média, e que continua a atrair investimentos consideráveis. Entre os mercados de que se fala menos, Marrocos, Botswana, Namíbia e Tunísia (esta última com as incertezas colocadas pelas questões de segurança) todos oferecem uma melhor acessibilidade de mercado. Na verdade, este é um grande ponto de diferença ainda existente entre o Norte de África e a África subsariana, o que impacta nos consumidores.

Se considerarmos o peso da população como único factor, em principio isto significa que os maiores mercados acabarão por ter maior numero de consumidores e, certamente, o monopólio em termos de investimentos.

Mas, por exemplo, usando os padrões de vida actuais como medida de riqueza, vemos que mais de 20 países em África  têm uma classe de consumidores maior – em relação à população total – do que a Nigéria.

Na África subsaariana, as Ilhas Maurícias, Cabo Verde, Gabão e Botswana tem uma das mais altas concentrações de consumidores.

Nota-se também um grupo emergente na África Ocidental e Central de consumidores: Gana, Senegal, República do Congo e Camarões e como já mencionado a Costa do Marfim.

É fácil, por vezes, subestimar o ritmo da mudança digital em África: apenas 2% da população no Mali tem acesso à internet, mas mais de um quarto da população possui um smartphone.

No Sudão, quatro em cada dez pessoas tem cobertura 3G. Na verdade, a conectividade é uma área em que a África subsaariana está a começar a ultrapassar os mercados norte-Africanos mais desenvolvidos.

Entre os nichos de mercado com altos níveis de penetração de tecnologia, destacam-se o Botswana, as Ilhas Maurícias e o Gana.

Mas isso é apenas parte da narrativa africana do digital. O Quénia posiciona-se rapidamente como o centro principal de tecnologia fora da África do Sul e é um líder global em pagamentos móveis.

Um elemento-chave do plano de crescimento do Ruanda é a implantação de acesso à Internet o mais amplamente possível, incluindo os muitas vezes esquecidos consumidores rurais. O Sudão e Zimbábue têm bem desenvolvidas as infraestruturas móveis.

Graças também aos confinamentos, os indicadores mostram que a infraestrutura digital está já a ter, e terá ainda mais num futuro próximo, um impacto enorme sobre a atratividade de mercado e seguramente assistir-se-á  a uma corrida intensa entre cerca de 12 países para se tornarem os líderes do mercado digital de África.

A concluir quais os “nichos” de mercado mais atraentes para investir?

Um país destaca-se de forma consistente: o Botswana. Apesar dos seus próprios problemas (mas quem não os tem?), a estabilidade do Botswana, a acessibilidade e a infraestrutura de mercado torna-o de forma consistente o nicho de mercado de referência em África.

Mas o crescimento económico está a começar a girar longe do Norte de Africa e da África do Sul e volta-se para a África Oriental e Ocidental.

Na África Ocidental, a força gravitacional da Nigéria faz com que o Gana e Costa do Marfim (a maior economia da UEMOA) se tornem especialmente importantes como potenciais centros regionais.

Uma maior integração regional na África Oriental coloca potencialmente o Ruanda numa posição de liderança para interagir como o hub da região.

O Botswana e as ilhas Maurícias continuam a ser dos países mais estáveis ​​de África para se fazerem negócios – fatores que se poderiam tornar importantes para o descolar da economia digital e dos serviços financeiros.

Tal como disse no inicio, a vida seguirá o seu caminho este ano e por isso, creio eu, é tempo que ainda em 2021, se retome o caminho dos investimentos em África.

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