O pós-pandemia e as mulheres na agricultura.

Agora que a pandemia parece estar a virar uma endemia, a agricultara em África torna-se fundamental, pois continua a ser uma das maiores mais valias do continente.

Apesar de, ao longo dos tempos, a agricultura ter estado sempre a cargo das mulheres, nos tempos modernos, as empresas agrícolas e praticamente todo o agro-negócio, está na mão dos homens.

 

O papel das mulheres na economia local

De facto, as mulheres africanas são agricultoras, criadoras de gado, processadoras de alimentos, comerciantes e trabalhadoras rurais. No entanto, no que diz respeito ao processamento primário ou no comercio, poucas são empresárias.

Mas este paradigma está a mudar. Da Somália à Guiné-Bissau, do Senegal a Moçambique ou de Cabo Verde a Madagáscar, as mulheres africanas estão a mudar a agricultura, adaptando-se e inovando para enfrentar os desafios das mudanças climáticas e alimentar a crescente população do continente, ou seja, as suas famílias.

 

Quais são as maiores dificuldades?

O maior problema é o acesso ao financiamento. As mulheres são forçadas a contar com poupanças pessoais e empréstimos familiares que raramente são suficientes para financiar o crescimento das empresas.

Neste contexto de recuperação económica é preciso apoiar o acesso das mulheres agricultoras a melhores tecnologias, sementes e sistemas de irrigação, e aos segmentos mais rentáveis das cadeias de valor agrícola.

E por um bom motivo: quando as mulheres africanas prosperam, as suas famílias prosperam e da mesma forma as sociedades em que elas vivem e partilham os dividendos.

 

A solução

É fundamental que os governos adotem políticas que favoreçam o acesso ao financiamento, assistência técnica e o ambiente propício para preencher a lacuna do investimento nas empresas criadas por mulheres em particular as ligadas à agricultura.

O Banco Africano de Desenvolvimento, já deu um primeiro grande passo nessa direção, ao ter assinado a 27 de Janeiro de 2022, em Dakar um acordo de financiamento de 4 milhões de dólares com a ONU Mulheres para apoiar o acesso das mulheres empresárias aos contratos públicos na África Ocidental.

O acordo de financiamento – o maior jamais assinado pelo Banco a favor da ONU Mulheres – faz parte do programa emblemático da instituição, a Iniciativa Africana de Acesso das Mulheres ao Financiamento (AFAWA), em colaboração com a Iniciativa de Financiamento das Mulheres Empresárias (We-Fi).

O projeto procura melhorar a legislação e aumentar a capacidade de acesso das mulheres a concursos públicos – assegurando que as mulheres estejam equipadas com competências técnicas para aceder a oportunidades de aquisição.

O projeto também ajudará a mitigar o impacto da crise de saúde, ajudando as pequenas e médias empresas lideradas por mulheres a melhorar as suas competências para gerir os seus negócios online, operar remotamente e ajustar os seus modelos empresariais, incluindo a exploração de oportunidades de inovação.

 

Conclusão

Felizmente, África está a abrir os olhos e está a pôr não só a agricultura, como a transformação dos produtos agrícolas, na mão de quem sempre tratou desses assuntos. As mulheres. Por isso é de esperar que o seu conhecimento ancestral desta actividade lhes traga a sabedoria necessária para um desenvolvimento económico que beneficiará todos os africanos.

 

O que achas disto? Fazem falta mais mulheres na agricultura? Queremos saber a tua opinião, não hesites em comentar e se gostaste do artigo partilha e dá um “like/gosto”.

 

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Imagem: © 2022 AFDB
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