O Ocidente é o culpado da fome em África.

As sanções impostas pelo Ocidente à Rússia por causa da invasão da Ucrânia, transformaram os países africanos em vítimas inocentes da guerra e exacerbaram a escassez de alimentos já existente em África causada por más colheitas e insegurança.

Embora os alimentos e os fertilizantes não estejam incluídos nas sanções impostas pelo Ocidente, as mesmas têm como alvo o transporte russo e tornaram as empresas internacionais de transporte marítimo relutantes em movimentar cargas vindas desse país.

Devido a estas limitações, o Banco Africano de Desenvolvimento já afirmou que os preços do trigo subiram cerca de 45% como resultado da interrupção do fornecimento. Até mesmo a ONU teme “um furacão de fome no mundo”, mas em particular nos países africanos que importaram 44% do seu trigo da Rússia e da Ucrânia.

É preciso lembrar que a Rússia e a Ucrânia respondem por quase um terço da oferta mundial de trigo, enquanto a Rússia também é um importante exportador mundial de fertilizantes e a Ucrânia é um grande exportador de milho e óleo de girassol.

 

Macky Sall, encontra Putin

O presidente da União Africana e presidente do Senegal, Macky Sall, encontrou-se nesta passada sexta-feira 3 de Junho de 2022, com Vladimir Putin e alertou-o para a situação dos países africanos que estão a sofrer com o aumento dos preços dos alimentos como resultado da operação militar de Moscovo na Ucrânia.

As conversas entre os dois, que ocorreram em Sochi, na Rússia, estiveram focadas em resolver o problema da exportação de suprimentos vindos da Rússia e da Ucrânia, bloqueadas pelas sanções impostas pelo Ocidente.

Durante a reunião, Sall lembrou a Putin que 17 países africanos se abstiveram de votar a resolução da ONU condenando a invasão da Ucrânia, apesar do que ele descreveu como forte pressão para fazê-lo.

“Se olhar para a Ásia, o Médio Oriente e para a América Latina, verificará que há uma boa parte da humanidade que está de fato muito atenta ao que está a acontecer”.

“É em nome de todas estas esperanças que vim para vê-los, para pedir que entendam que os nossos países – mesmo que estejam longe do teatro [de ação] – são vítimas a nível económico”, disse Sall.

 

Ocidente instado a suspender sanções

A Rússia, é o maior exportador mundial de trigo e instou o Ocidente, em nome do bom senso e dos valores humanitários, a suspender as sanções impostas para que os cereais comecem a fluir livremente para os mercados globais.

Segundo o Kremlin, Putin disse ao primeiro-ministro italiano, Mario Draghi, durante um telefonema na semana passada, que Moscovo;

“Está pronto para dar uma contribuição significativa para superar a crise alimentar por meio da exportação de grãos e fertilizantes, com a condição de que as restrições politicamente motivadas impostas pelo Ocidente, sejam levantadas”.

A Ucrânia também é um dos maiores exportadores mundiais de trigo, milho e óleo de girassol, mas devido a ter bloqueado os seus portos com minas para impedir a entrada de barcos de guerra russos, interromperam as exportações por os portos não serem seguros para transporte, colocando em risco o abastecimento mundial de alimentos.

A Rússia propôs a criação de corredores para permitir que navios estrangeiros deixem com segurança os portos ao longo do Mar Negro, mas a Ucrânia e o Ocidente, apesar de em princípio concordarem com a ideia, não querem abrir esses corredores com a preocupação de que a Rússia possa usá-los para atacar Odesa e outros portos ucranianos.

 

O exacerbar dos problemas em África

Os problemas da cadeia de suprimentos causados ​​pelo conflito da Ucrânia ocorrem quando grandes partes de África já estão a enfrentar a seca e outros problemas. Amin Awad, o coordenador de crises da ONU, lembrou que, uma escassez de alimentos, pode afetar 1,4 bilhões de pessoas e desencadear uma migração em massa.

As Nações Unidas também alertaram para o facto de 18 milhões de pessoas estarem a enfrentar fome severa no Sahel, onde os agricultores enfrentam a sua pior produção agrícola em mais de uma década. Outros 13 milhões de pessoas enfrentam fome severa na região do Corno de África como resultado de uma seca persistente.

O Chade declarou uma emergência alimentar nacional, pois um terço da população precisa de ajuda alimentar, segundo a ONU e o governo pediu ajuda internacional. A complementar essa informação, o chefe do Programa Mundial de Alimentos, Mike Dunford, disse que mais de 80 milhões de pessoas sofrem de insegurança alimentar aguda e fome aguda em África.

Com o conflito, agora no seu quarto mês, os líderes mundiais aumentaram os pedidos de soluções ao Ocidente. O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, Ngozi Okonjo-Iweala, disse que cerca de 25 milhões de toneladas de grãos ucranianos estão armazenados e outros 25 milhões de toneladas podem ser apanhados ainda no próximo mês.

 

Conclusão

A solução é simples e obvia. Já se viu que estas sanções internacionais impostas à Rússia, são completamente ridículas e de nada servem, pois até agora não afectaram em nada a economia russa nem contribuíram para o fim da guerra, pelo contrário.

Por outro lado, estas sanções impostas pelo Ocidente apenas estão a prejudicar países inocentes, não só em África, mas por todo o mundo e que nada tem a ver com o conflito.

Portanto, mesmo que não seja na totalidade e tal como muitas personalidades internacionais já o disseram, é só eliminar as sanções que prejudicam a livre circulação de alimentos o que fará com que os preços dos mesmos baixem.

No entanto, esta solução não agrada às grandes potencias do Ocidente pois claramente, outros valores se impõem e tem claro interesse em que a situação se mantenha.

Basta para isso ver a “resposta” dada esta sexta-feira, pelo presidente dos EUA, Joe Biden, a este encontro entre Putin e Sall onde rejeitou a ideia de que o Ocidente seja o responsável pelos aumentos mundiais dos preços.

“Este aumento de preços é culpa de Putin, não do Ocidente”.

“A guerra de Putin aumentou o preço dos alimentos porque a Ucrânia e a Rússia são as duas maiores cestas de pão do mundo para trigo e milho, o produto básico para muitos dos alimentos ao redor do mundo”. Afirmou Joe Biden.

 

O que achas desta situação? Se o Ocidente quisesse esta crise acabava já? Queremos saber a tua opinião, não hesites em comentar e se gostaste do artigo partilha e dá um “like/gosto”.

 

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Imagem: © 2022 AFP 

  • Ex-atleta olímpico, tem um Doutoramento em Antropologia da Arte e dois Mestrados um em Treino de Alto Rendimento e outro em Belas Artes. Escritor prolifero, já publicou vários livros de Poesia e de Ficção, além de vários ensaios e artigos científicos. neste momento exerce as funções de Chefe de Redação da Mercados Africanos.

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