O Diretor Geral da OMS, o Etíope, Tedros Adhanom Ghebreyesus vincou que as vacinas “serão um recurso limitado” até ao fim do ano 2021, pelo que há que “usá-las de forma estratégica”, priorizando os profissionais de saúde e os idosos, mais vulneráveis à Covid-19, durante uma conferência de imprensa conjunta por videoconferência com o presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier.

“Se não há vacinas para comprar, o dinheiro é irrelevante”, apontou o diretor geral da OMS, reiterando o apelo para que os países ricos partilhem vacinas com os mais pobres, as farmacêuticas produzam mais vacinas e uns e outros respeitem os acordos com o mecanismo de distribuição equitativa Covax.

“Alguns países ricos estão atualmente a abordar fabricantes para garantir o acesso a doses adicionais de vacinas, o que tem efeito nos contratos com o Covax, e o número de doses alocadas ao Covax foi reduzido por causa disso”, sublinhou Tedros Adhanom Ghebreyesus

Neste sentido o primeiro-ministro português afirmou ontem (23/02) que África será prioritária na disponibilização de doses adicionais de vacinas contra a covid-19 e que Portugal procurará “redirecionar” para Timor-Leste e países africanos de expressão portuguesa (PALOP) 5% das vacinas adquiridas.

O sistema Covax foi criado para tentar evitar que os países ricos obtenham todas as doses das vacinas que são fabricadas ainda em quantidade muito pequena para atender às exigências globais, incluindo um mecanismo de financiamento que deverá permitir que 92 economias de baixa e média renda tenham acesso às vacinas

Também na segunda-feira (22/02), a OMS alertou para um défice de 22,9 mil milhões de dólares no financiamento, em 2021, do programa internacional de apoio a vacinas, tratamentos e diagnósticos para a Covid-19.

Segundo Tedros Adhanom Ghebreyesus, faltam 22,9 mil milhões de dólares para “financiar plenamente o ACT Accelerator este ano”.

Coordenado pela OMS, o programa ACT Accelerator é uma iniciativa global lançada em Abril de 2020 que visa acelerar o desenvolvimento, a produção e o acesso equitativo a testes de diagnóstico, tratamentos e vacinas para a Covid-19, envolvendo governos, sociedade civil, empresas, filantropos e organizações públicas e privadas.

Tedros Adhanom Ghebreyesus enalteceu os países do G7 (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido) e a União Europeia por se terem comprometido na sexta-feira (19/02), numa cimeira virtual, a doar 4,3 mil milhões de dólares para o ACT Accelerator, destacando a sua “capacidade de liderança”.

“Mas precisamos de acelerar”, pediu ele, dizendo que no entanto “o dinheiro não é o único desafio”.

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