ONU: Recuperação económica em curso, mas muito desigual

A Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento, (UNCTAD na sua sigla em Inglês), lançou esta quarta-feira, 15 setembro 201, em Genebra, o Relatório Comércio e Desenvolvimento 2021 – consultado por Mercados Africanos – confirmando que a economia global terá uma recuperação de 5,3% este ano, a aceleração mais rápida em 50 anos, embora essa recuperação seja bastante desigual entre as regiões.

A recém empossada Secretária-Geral da UNCTAD, Rebeca Grynspan – e primeira mulher a ocupar esses cargo – declarou que “essas desigualdades, tanto domésticas, quanto internacionais, avisam-nos de que se algumas condições permanecerem, a resiliência e os ganhos obtidos com o crescimento serão aproveitados por cada vez menos pessoas”.

“O crescimento mundial deverá atingir os 5,3% este ano, o maior em quase meio século, com alguns países a regressarem (ou até ultrapassarem) o seu nível de produção de 2019 no final de 2021”, pode ler-se no Relatório de Comércio e Desenvolvimento 2021.

No entanto, “O próximo ano verá uma desaceleração do crescimento global, mas durante quanto tempo, isso irá depender das decisões políticas, particularmente nas principais economias”, refere o organismo da ONU.

A UNCTAD alerta até que “mesmo assumindo que não haja choques subsequentes, um regresso à tendência de rendimentos pré-pandemia poderá, sob assunções razoáveis, demorar até 2030”.

Para 2022, a instituição da ONU espera um crescimento económico de 3,6%, deixando os rendimentos mundiais abaixo da sua tendência antecipada antes da pandemia.

Em contraste, o Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê um crescimento mundial de 6,0% este ano e de 4,9% no próximo (2022).

A UNCTAD também avisa que “irá levar vários anos até que o mundo recupere das perdas causadas com o choque da Covid-19, uma perspetiva preocupante para muitos países. Os danos da crise do covid-19 excederam aqueles da crise global mundial em muitas partes da economia mundial, mas tem sido particularmente desgastante no mundo em desenvolvimento”, refere o documento.

A falta de autonomia fiscal e de acesso às vacinas prejudica muitas economias em desenvolvimento, ameaçando a chegada de outra “década perdida”.

Apesar das tendências de inflação, a UNCTAD acredita que a alta no preço dos alimentos poderá ser uma séria ameaça a populações vulneráveis do Sul, que já têm a economia enfraquecida pela crise de saúde.

A UNCTAD faz uma série de recomendações, incluindo cancelamento da dívida em alguns casos, redefinição de políticas fiscais e maior apoio na entrega de vacinas aos países em desenvolvimento.

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