OPEP lança bases para o futuro em África

O secretário-geral da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) esteve esta semana na República do Congo para deixar uma espécie de caderno de encargos para Brazaville, que ocupará a próxima presidência rotativa da organização, depois de Angola.

Mohamed Barkindo foi a Brazaville dizer que o próximo ano marca uma transição entre os últimos 60 anos e as próximas seis décadas, argumentando que a transição energética estará na primeira linha do debate mundial no próximo ano, já na ressaca da pandemia e depois dos novos acordos ambientais que deverão ser alcançados em Glasgow, no final deste ano.

“O próximo ano vai ser um marco porque vai servir como uma ligação entre a jornada da OPEP nos últimos 60 e será a ponte para os próximos 60 anos”, disse Barkindo durante a visita de três dias à República do Congo, a primeira que faz a um país da África subsaariana.

“Será o ano em que o mundo vai focar-se novamente nas alterações climáticas a seguir à COP-26 em Glasgow e, por isso, a transição energética vai provavelmente ocupar o centro das conversações e do discurso a nível global”, argumentou o nigeriano que desde 2016 está à frente do cartel mais poderoso da produção de petróleo.

O conceito de transição energética é, na verdade, a assunção de que o petróleo vai acabar, mais cedo ou mais tarde, e que é preciso encontrar fontes alternativas de produção de energia que garantam o motor da transformação económica que África procura para capitalizar o seu potencial e conseguir finalmente alcançar o desenvolvimento que todos desejam.

Na visita à República do Congo, Barkindo elogiou o país, um dos vários países africanos membros da OPEP, como Angola, Nigéria ou a Guiné Equatorial, e apontou que 2022 “será um ano decisivo para “assentar ideias sobre o impacto do vírus não apenas na população mundial, mas também na economia global e no mundo petrolífero”.

A visita de Barkindo pretende mostrar ao mundo o potencial de África, mas também as oportunidades de negócio que existem no continente. A transição para energias mais limpas, ou verdes, terá de ser feita, mas essa transição terá ainda de ser alimentada recorrendo aos recursos naturais do continente, leia-se petróleo e gás, principalmente.

O líder da OPEP enfatizou o papel das companhias petrolíferas internacionais para garantir que esta ironia de os países mais ricos em recursos naturais serem dos mais atrasados tem um fim. “O tempo para o petróleo e gás em África está apenas a começar, já que os hidrocarbonetos são a melhor solução para a transição e desenvolvimento energético no continente”, disse, desafiando as empresas a cooperarem em vez de competirem.

“A indústria do petróleo e gás tem um futuro brilhante no mundo e na África subsaariana em particular”, concluiu.

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