A consultora Oxford Economics considera que o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA, no poder) pode ter uma surpresa nas próximas eleições presidenciais, já em 2022, se a UNITA e os outros partidos da oposição convergirem na crítica ao Governo liderado por João Lourenço.

Numa análise à coligação que foi anunciada em Luanda, com o nome Frente Patriótica Unida (FPU), os consultores dizem que a ideia pode trazer vantagens para os opositores, mas dificilmente conseguirá tirar o Presidente de Angola do cargo já no próximo ano.

“O MPLA continua forte no poder, muito ajudado pelo acesso aos recursos do Estado, pelo que uma coligação da oposição não deve conseguir mudar as coisas em 2022”, escreveram os analistas num comentário enviado aos clientes, e a que Mercados Africanos teve acesso.

“A UNITA e os seus parceiros viram uma oportunidade de desafiar a hegemonia do MPLA e acreditam que podem tirar vantagens do descontentamento popular que começou a surgir em 2020”, escrevem, acrescentando que “há uma perspetiva realista de a maioria do MPLA reduzir-se ainda mais e um resultado forte da oposição pode dar-lhe o necessário fôlego para contestar o partido mais votado em eleições futuras”.

A UNITA juntou forças com dois partidos da oposição mais pequenos, o Bloco Democrático e o Partida do Renascimento de Angola – Juntos por Angola (PRA-JA), criando a FPU, que será liderada pelo líder da UNITA, Adalberto Costa Júnior, e terá como vice-presidente o líder do PRA-JA, Abel Chivukuvuku.

O objetivo é juntar toda a oposição para criar o caminho para tirar o MPLA do poder em Angola, o que não será uma tarefa fácil, quanto mais não seja porque este é o partido que está no poder desde 1975, dominando a totalidade do aparelho estatal e tendo os seus membros em todas as posições de influência na estrutura que domina o país.

João Lourenço foi recebido pelo povo angolano primeiro com descrença dadas as boas relações que mantinha com José Eduardo dos Santos, o histórico presidente angolano, mas cedo se percebeu que o jogo tinha mudado.

João Lourenço foi atrás de vários membros da família do seu antecessor, colocando José Filomeno dos Santos na cadeia e obrigando Isabel dos Santos a ficar fora do país, sob pena de poder conhecer o mesmo destino que o seu irmão.

Ambos se queixam de perseguição política e garantem que não houve qualquer prejuízo para o Estado angolano devido aos seus negócios empresariais.

O ataque à família do antecessor trouxe-lhe popularidade, mas a economia aumentou as críticas. Angola continua mergulhada numa recessão desde 2016, da qual só deve recupera ligeiramente este ano, e as condições de vida das pessoas foram agravadas pela crise mundial desencadeada pela pandemia de covid-19, que demorará anos até ser completamente deixada para trás.

O descontentamento aumentou também com a repressão feita aos manifestantes que protestavam contra a falta de liberdade para expressar opiniões contrárias, e com o sucessivo adiamento das eleições municipais, que desde 2019 têm sido sucessivamente adiadas e deverão agora coincidir com as presidenciais.

Mário Baptista

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