Os africanos que ganharam o Nobel da Paz (VI)

Desde o início do Prémio Nobel da Paz em 1901, houve vários premiados africanos selecionados pelo Comité Nobel da Noruega. Numa serie de artigos, do qual este é o sexto, recordamos os africanos que foram premiados.

O Prémio Nobel da Paz é um dos cinco prémios internacionais anuais concedidos em várias categorias em, avanços académicos, culturais e ou científicos.

Em 2018, o Prémio Nobel da Paz de foi atribuído à iraniana Nadia Murad, membro da minoria yazidi, e ao médico congolês (RDC), Denis Mukwege, pelos seus esforços em ajudarem as vítimas de violação da guerra e a “acabarem com o uso da violência sexual como arma de guerra e conflito armado”.

Neste artigo recordamos o africano Denis Mukwege: “Todos nós temos o poder de mudar o curso da história quando as crenças pelas quais lutamos estão certas”.

Denis Mukwege, 2018

Denis Mukwege, médico congolês (RDC), Prémio Nobel da Paz, 2018
Denis Mukwege, médico congolês (RDC), Prémio Nobel da Paz, 2018

Mukwege é o fundador do Hospital Panzi em Bukavu, no leste da República Democrática do Congo, que recebe milhares de mulheres todos os anos, muitas das quais precisam de cirurgia devido à violência sexual, e oferece tratamento para HIV /SIDA, bem como atendimento materno gratuito.

Nascido a 1 de março de 1955, em Bukavu, província de Kivu do Sul, no então Congo Belga [agora República Democrática do Congo] onde cresceu. Desde muito jovem que se deu conta da necessidade de melhores cuidados médicos na região ao visitar paroquianos doentes com o seu pai, um pastor pentecostal.

Depois de estudar medicina no Burundi, Mukwege voltou para a RDC e trabalhou num hospital de aldeia. Embora inicialmente interessado em cuidados pediátricos, mudou o seu foco para obstetrícia e ginecologia depois de observar as circunstâncias difíceis que muitas mulheres rurais enfrentavam durante o parto.

Mukwege continuou os seus estudos em Angers, França, e em 1989 estabeleceu um serviço de obstetrícia e ginecologia em Lemera, na sua região natal. Depois do hospital em Lemera ter sido destruído durante a guerra civil que eclodiu no país no final de 1996, Mukwege mudou-se para Bukavu. Em 1999 fundou o Hospital Panzi, onde atuou como diretor e cirurgião-chefe.

Embora o objetivo original do hospital fosse fornecer cuidados de maternidade que faltavam na área, logo começou a receber um grande número de vítimas de violência sexual, algumas com apenas três anos de idade e muitas com ferimentos graves e mutilações.

A “epidemia” de violência sexual na região afetada pelo conflito foi em grande parte o resultado dos combatentes usarem o estupro sistemático de mulheres e meninas como meio de aterrorizar e deslocar a população civil.

Em resposta à crise, Mukwege criou uma equipa especializada no atendimento de tais pacientes e, desde 1999, ele e outros trataram mais de 50.000 mulheres e meninas.

Além disso, Mukwege pediu um maior envolvimento por parte da comunidade internacional, incluindo um mandato mais forte da ONU na RDC, como meio de acabar com a violência.

Em outubro de 2012, sobreviveu a uma tentativa de assassinato e deixou o país por um breve período, tendo regressado no início do ano seguinte.

Os africanos que ganharam o Nobel da Paz (I)

Os africanos que ganharam o Nobel da Paz (II)

Os africanos que ganharam o Nobel da Paz (III)

Os africanos que ganharam o Nobel da Paz (IV)

Os africanos que ganharam o Nobel da Paz (V)

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