Óscares 2022: 12 países africanos com filmes.

Apesar do crescimento e do reconhecimento que se começa a observar do setor audiovisual africano, nos últimos anos, as produções cinematográficas do continente continuam a debaterem-se para se estabelecerem nos grandes festivais internacionais, como os Óscares.

Este ano, 2021, 12 dos 54 países africanos enviaram produções e inscreveram-se. Foi um recorde.

Para o 94º Prémio da Academia, que acontecerá em março de 2022, dos 12 países africanos, dez (10) enviaram produções para a categoria de Melhor Filme Internacional, que premia filmes produzidos fora dos Estados Unidos, com diálogos ou roteiros exclusivamente ou principalmente em outros idiomas, que não sejam o inglês.

Para esta edição, o continente estará representado pela África do Sul, Argélia, Camarões, Chade, Egito, Maláui, Marrocos, Quénia, Somália e Tunísia.

São os filmes “Héliopolis” de Djaffar Gacem para a Argélia; “Souad” de Ayten Amin para o Egito; “High and strong” de Nabil Ayouch para o Marrocos e “Golden Butterfly” de Abdelhamid Bouchnak para a Tunísia.

 “The Coveiro’s Wife” do Somali Khadar Ayderus Ahmed, “Hidden Dreams” do camaronês Ngang Romanus, “Lingui, les ties sacrés” do chadiano Mahamat-Saleh Haroun, “Barakat” da sul-africana Amy Jephta, o filme do Malawi “Fatsani – A Tale of Survival” de Gift Sukez Sukali e o filme queniano “Mission to Rescue” de Gilbert Lukalia.

Vejamos qual será a reação de quem decide dos filmes que são selecionados para competirem nas diferentes categorias.

O que todos sabemos é que a perspetiva e visão de Hollywood sobre África e a diáspora africana, durantes estes 94 anos de Óscares, se baseou nos estereótipos sobre o continente, os africanos e a sua diáspora.

Durante décadas Hollywood atribui e impos papéis aos atores e atrizes afro-americanos, que distorciam a história e a realidade africana e da diáspora.

Obviamente com as mudanças na sociedade em geral, com as independências das colónias e as próprias mudanças sociais e culturais na América, Hollywood também se ajustou.

Mas daí a vermos um filme africano vencedor de um Óscar não será ainda por agora.

Aliás em 2017 a cerimónia de entrega de Óscares foi marcada por uma grande polémica e boicotes devido a nenhum ator/atriz negra ter sido nomeado(a) aos Óscares.

No país que gosta de dar lições sobre democracia e liberdade, a primeira pessoa negra a ganhar um Óscar, Hattie McDaniel, teve que aceitar o seu troféu de melhor atriz secundária de 1940 em num hotel segregado e passar pela porta de trás e a cozinha para chegar ao palco.

Para a história, o famoso produtor do filme “E o Vento Levou” , David O. Selznick teve que pedir um favor especial para que McDaniel, que interpretou a escrava principal Mammy no épico da Guerra Civil America, pudesse entrar no Ambassador Hotel, onde estava a decorrer a cerimónia de entrega dos 12º Óscares.

A atuação de McDaniel tinha sido tão brilhante, intensa, que em plena América segregacionista, derrotou Olivia de Havilland, coestrela de “E o Vento Levou”, bem como Geraldine Fitzgerald, Edna May Olivere Maria Ouspenskaya, as grandes estrelas da época.

No seu discurso de aceitação do Óscar e com as lágrimas a correrem pela face, a filha de dois ex-escravos indicou que esperava que seu prémio tivesse um significado duradouro.

“Sempre terei isso como um farol para qualquer coisa que eu possa fazer no futuro. Sinceramente, espero ser sempre um crédito para minha raça e para a indústria do cinema”, disse ela.

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