A Organização Não Governamental britânica Oxfam considera que o FMI está a criar uma nova onda de austeridade pós-pandemia, exigindo medidas difíceis para os cidadãos quando as economias recuperarem e mostrando que não aprendeu com as consequências empobrecedoras dos programas de ajuda financeira aplicados não só em África, mas também nos países europeus.

“84% da ajuda financeira do FMI encoraja, e nalguns casos obriga, os países pobres, que já são duramente atingidos pelos impactos económicos da pandemia, a adotarem mais medidas duras de austeridade a seguir à crise sanitária”, dizem os ativistas da Oxfam.

Segundo um estudo feito recentemente, dos 91 programas de ajuda financeira do FMI em 81 países, 76 obrigam a impor medidas de austeridade quando as economias recuperarem da crise.

Este “aperto do cinto pode resultados em cortes dos sistemas de saúde, pensões, congelamento de salários de funcionários públicos e no sistema de segurança social”, alertam os economistas da Oxfam, que exemplificam com os termos da ajuda à Nigéria e Angola, que impõe “uma implementação ou o aumento de um imposto sobre o valor acrescentado, e que incide de forma desproporcional sobre os mais pobres”.

Quando confrontado com estas críticas, o FMI disse que a ajuda financeira foi dada sem condições anexadas, mas acrescentou que a seguir à pandemia os países terão um nível de dívida mais alto e receitas mais baixas, pelo que terão de reequilibrar as economias, sob pena de se tornarem insustentáveis ou insolventes.

Aumentar as receitas recorrendo a medidas fiscais progressivas, evitar fugas ao fisco, novas prioridades para a despesa pública, aumento da eficiência fiscal, mais apoio da comunidade internacional, financiamento concessional e resolução dos problemas da dívida são as prioridades para os países mais frágeis do ponto de vista financeiro, respondeu o FMI.

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